Olho do Furação


No Olho do Furação

Estar no olho do furação.

Lugar de aparente tranqüilidade.

No meio do oceano.

Em meio a águas quentes e ventos

Envolto de um aquecimento mortal.

Combinação explosiva em meu ser

Ventos fortes açoitam minha vida.

Ondas gigantes passam sobre mim.

Chuvas torrenciais.

Motor em um aquecimento mortal.

Ventos há trinta metros por segundo.

Força incontrolável da natureza.

Que afundam meus sonhos e esperanças.

Furação em movimento

Derrubando tudo que vem pela frente.

Por onde passa arranca tudo pela raiz

Estou no olho do furação.

Profundo abismo, silencioso e solitário.

Sem ter como fugir, como sumir.

Vejo a minha volta tanta pobreza e injustiças.

Uma megatempestade devasta a Terra.

Haverá esperança para os pobres, para os trabalhadores?

Mulheres e homens perdidos em seu egoísmo.

Crianças abandonadas,

Milhares que morrem de fome.

Cadáveres espalhados pela terra.

Sangue derramado em nome da paz mundial.

A terra geme e chora.

Um número a mais nas estatísticas do governo

Contado entre aqueles que irão para cova

Perturbado e aflito

Ouvindo os rumores impetuosos do vento

Cercado por águas de todos os lados

Sem saber nadar no meio do mar revolto.

Longe de amigos e companheiros

Coberto por trevas.

A modernidade tão aclamada

“Igualdade, liberdade e fraternidade”.

Já submergiu.

E para o homem sobrevivente da pós-modernidade

Todas as certezas são incertas.

Aspirando a verdade só encontram incertezas

Buscando a felicidade só acham a miséria e morte

Desde a cova, submerso nas águas até o pescoço

Clamo a Ti, oh Senhor.

Pois se o homem não foi feito para Ti

Por que só sente-se feliz em Ti.

Não rejeites minha alma

Deus da minha salvação.

Não me lances da Tua presença.

Dissipa com tua Voz os ventos.

Mostra o teu poder no meio das águas

Pois pelo mar é o teu caminho

Tira-me do meio das muitas águas

Do olho do furação.

Põe meus pés sobre a rocha.

E estarei seguro

E mesmo em meio às trevas

Verei tua luz

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