Menina Caiçara

 

 

 

 

 

 

 

Menina Caiçara

para minha filha

Plena de si, menina-mulher caiçara,

renasceu bem ali,

entre o mar e a terra,

no encontro das águas doces e salgadas.

 

Tão doce, coração meigo,

protetora das coisas da terra,

abrigo para pequenos seres,

uma árvore plantada, bem no meio do manguezal.

 

Mergulhou fundo nas águas limpas,

da Ilha das Peças, de Guaraqueçaba e do Superagui,

brincou com as crianças no trapiche e na praia,

feliz, voltou no tempo, tornou-se uma delas.

 

Andou descalça pela areia,

tomou banho de chuva,

viajou de canoa pelos povoados,

pescou, limpou, cozinhou e comeu.

 

Filha de terras caiçaras, terra dos avós e bisavós,

terra de manguezais: branco, vermelho e amarelo.

das Aroreiras, do Araticum-do-brejo, do Cebolão, da Bacopa, do Marmeleiro,

do Hibisco da praia, da Capororopa e da Samambaia do Mangue.

 

Terra dos golfinhos, onça-parda, cotias,

capivara, catetos, lagartos,

tucanos, papagaios e guarás,

tamanduás, jacus e do bugio.

 

Terra do Fandango Caiçara

batido, bailado ou valsado

da viola e tamancos,

com seus toques, versos e estruturas.

 

Terra que confia na proteção do Divino e no Bom Jesus do Perdão,

que ouve em silêncio os conselhos dos avós e avôs,

guardiões de sabedoria e dos remédios caseiros:

chás, guarrafadas, suadouros, unguentos e cataplasmas.

 

Terra de pescadores, agricultores,

que vivem em harmonia com a natureza,

hospitaleiros, simples, sustentáveis e amáveis,

terra da Vó Maria e Vô do Cezino,

terra onde mora nosso coração, nossas origens e nossa alma.

 

Noemi N. Ansay

Imagens: Fotos da Ilha das Peças e Guaraqueçaba

eBOOK – Livro Portas Abertas: a poética do cotidiano

 

ACESSE O EBOOK NO LINK

https://view.publitas.com/p222-15785/livro-portas-abertas-a-poetica-do-cotidiano-noemi-nascimento-ansay/page/1

Em 2010 depois de compilar textos que estavam espalhados em pastas do meu computador, fruto de indagações, pensares e afetos, lancei o livro Portas Abertas: a poética do cotidiano. Uma produção feita a muitas mãos, agradeço a designer finlandesa MARI SUOHEIMO que fez a capa, cedeu lindas imagens e formatou este ebook, a minha amiga Profª Drª SÍLVIA ADREIS WITKOSKI que fez a revisão geral, a minha amiga e professora MARIANA ARRUDA, que fez a editoração e a querida Ana Maria Feres que fez a revisão dos textos.

Dos 600 livros impressos, hoje só tenho um na prateleira. O que aprendi nestes 7 anos, com meu primeiro livro:

– Não espere outras pessoas para concretizar seus planos.
– Faça algo com planejamento e dentro de suas possibilidades financeiras.
– Conte com seus amigos e amigas, como leitores e apoidores.
– Permita-se acertar e errar. E como já dizia Leminsky:

inverno
primavera
poeta é
quem se considera

 

Amorosidades

 

 

Amorosidades

 

uma carta, raio de sol, atravessa

o céu cinzento de Curitiba,

texto que abraça, faz cafuné,

aquece no frio,

beija a cada sílaba.

 

uma plantinha medicinal

suculenta, aloe vera

cicatriza, assepsia, regenera,

bendita Babosa, pouco exigente,

dá mais do que pede.

 

um  sabonete perfumado,

de manteiga de Cupuaçu,

limpa, acalma, suaviza almas ressecadas,

traz alento e suavidade,

carinho na forma de um pequeno retângulo.

 

delicadezas e mimos

do coração reluzente da Luane

e do coração forte como de um urso do Bernardo.

 

Noemi Ansay

Minha Irmã Finlandesa

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Minha Irmã Finlandesa

para Mari Suoheimo

Sim, a contragosto

aprenderei novamente

a ressignificar a palavra saudades.

 

Essa nostalgia que chega de mansinho,

uma mistura fina de tristeza e alegria,

e que vai ocupando todos os espaços.

 

Hoje, não há o que dizer,

só ficará o vazio da sua presença

um dia nublado, tão comum em Curitiba.

 

Nas memórias de curta e longa duração,

ficarão as lembranças do partilhar a vida,

os dias de sol e chuva,

 

As viagens, as refeições,

dias de Natal e aniversários,

imagens, sons e aromas.

 

Seus olhos tão azuis e brilhantes,

seus cabelos tão clarinhos,

sua natureza nórdica, silenciosa e fina.

 

Sempre achei curioso,

que em você o minimalismo,

ocupasse tantos espaços.

 

Sim, preenchias o tempo e o lugar,

com seus gestos de carinho,

com seu sorriso de menina.

 

Sua devoção as artes,

ao cozinhar, as flores,

aos amigos e estudantes.

 

Sei, que deixas aqui um pedaço de ti,

peço que também nos leve na bagagem e no coração,

aprendemos com tudo nesta curta passagem pela terra dos viventes.

 

Seremos irmãs para sempre,

se não de sangue e de idioma,

mas de alma e coração.

 

Gratidão para sempre,

Kitos, Kitos, Kitos.

Noemi N. Ansay

06/09/2017

A Ruiva

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A Ruiva

 

Tudo nela era ruivo,

rubro da cor de um poente,

o caminhar era coral,

o olhar purpúreo,

mãos e pés  tinham tons avermelhados,

e nossa amizade lembrava todos os tons de vermelhos:

do carmim, granza, alizarina, carmesim, solferino até o escarlata.

Hoje,  se nenhum ruivo e ruiva passam desapercebidos diante dos meus olhos

a culpa é só dela, minha querida amiga de infância,

Viviane: “aquela que é ruiva e cheia de vida”.

( Noemi N. Ansay)

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Quando eu tinha 11 anos, fui estudar no Colégio Estadual Pedro Macedo, no Portão, lá encontrei uma grande amiga, Viviane, com quem partilhei minhas alegrias e tristezas de adolescente. Frequentava sua casa e ela a minha, escutávamos músicas em fitas cassete, ensaiávamos coreografias e estudávamos juntas. Admirava sua força, coragem, inteligência e seus lindos cabelos ruivos. O tempo passou e hoje, depois de 33 anos nos reencontramos, compartilhamos nossas alegrias como mães, nossos desafios profissionais, relembramos nossos professores e amigos. Não tenho palavras para agradecer esse momento e admirar a importância que os amigos e amigas têm em nossas vidas. —  sentindo-se agradecida .

26/09/2017

Hiroshima, 72 anos da bomba

 

Hiroshima, 72 anos de uma barbárie, onde seres humanos jogaram intencionalmente uma bomba nuclear em outros seres humanos.

Hiroshima ou Hiroxima (広島市, Hiroshima-shi) é a capital da província de Hiroshima, no Japão. É cortada pelo rio Ota (Ota-gawa), cujos seis canais dividem a cidade em ilhas. Cresceu em torno de um castelo feudal do século XVI Recebeu o estatuto de cidade em 1558.

Em 6 de agosto de 1945, foi a primeira cidade do mundo arrasada pela bomba atômica de fissão denominada Little boy, lançada pelo governo dos Estados Unidos, resultando em 250 000 mortos e feridos.

Wikipedia

Hiroshima

Hiroshima

Quando a dor abateu teu coração

e a morte chegou sem avisar.

Quando as rosas murcharam

e teu corpo foi ferido.

Quando as casas caíram

e tuas crianças morreram.

Levantaste das cinzas,

resiliente,

plantastes rosas,

ergueste teus muros e casas.

Não importa o quanto os maus investirem,

o ódio e a vingança não compensam,

por fim o AMOR vencerá.

Noemi N. Ansay

O Memorial da Paz de Hiroshima, chamado Cúpula Genbaku (原爆ドーム) ou Cúpula da Bomba Atômica pelos japoneses, localiza-se em Hiroshima, Japão. O hipocentro da explosão atômica de 6 de Agosto de 1945 situou-se apenas a 150 metros de distância do edifício, que foi a estrutura mais próxima a resistir ao impacto.

A Cúpula Genbaku deveria ter sido demolida com o restante das ruínas, mas o fato de ter ficado praticamente intacta adiou os planos. Enquanto a cidade era reconstruída em torno do domo, sua permanência tornou-se motivo de controvérsia; alguns moradores queriam sua destruição, enquanto outros preferiam que a estrutura fosse preservada como um memorial do bombardeio.

Em 1966, Hiroshima declarou a intenção de preservar a agora chamada “Cúpula da Bomba Atómica” de forma definitiva. Trinta anos depois, em dezembro de 1996, a construção foi registrada como Património Mundial da UNESCO, baseado na Convenção sobre a Proteção do Patrimônio Cultural e Natural.
Wikipédia

Rafael Silveira no MON

Circonjecturas     Rafael Silveira

 

 

Bem no meio

das tuas curvas e retas niemeyerianas

surgem olhos e orelhas curiosas

uma língua imensa

uma boca ávida

por beijar

triturar

 digerir

teu imenso

prazeiroso

infinito

 surreal

mundo

interior.

Noemi N. Ansay

 

 

Noh 能

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Noh 能

Na máscara do Shite
o enigma, o mistério,
a voz medieval,
as mãos hábeis,
os passos medidos,
o ir e o ficar,
o sobrenatural.

O Waki
sem máscara,
de carne e osso,
com os pés no chão,
revela ousadia na voz,
frágil humanidade,
ousa olhar para o mundo do além.

Na orquestra:
o tamboril pequeno,
o tamboril grande,
o tambor de baquetas,
a flauta de bambu,
o coro de homens,
música essencial.

A poesia,
a música,
os movimentos lentos,
o suntuoso vestuário,
arrebata os sentidos,
tudo é sereno
calmo
zen.

noemi n. ansay

Imagem: http://teatrojornal.com.br/2015/09/a-tradicao-da-escola-noh-de-kanze/

Rivânia de Pernambuco

 

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Rivânia de Pernambuco

Bem longe daqui, na Zona Mata Sul de Pernambuco,
no município de São José da Coroa Grande,
na Várzea do Una, chove impetuosamente,
uma enchente assola os moradores ribeirinhos.

De dentro de uma das casas,
quase tomada pelas águas,
ouve-se uma voz embargada, é a avó Maria Ivânia:
– Rivânia, Rivânia, minha filha, salve o que é mais importante pra você!

Rivânia, aquela que mora em “terras adjacentes ao rio”,
corre para salvar seu precioso acervo,
seus livros escolares,
coloca-os na mochila e corre para a jangada.

Rivânia, a destemida, com apenas oito anos,
viaja rio afora, olhos marejados,
abraçada na mochila de muitas cores,
não descuida de seu tesouro por nenhum momento.

Rivânia de Pernambuco,
Rivânia da Várzea do Una,
Rivânia neta de Maria Ivânia e Eraldo Luís,
Rivânia de oito anos,
Rivânia a estudante,
Rivânia a amante dos livros,
Rivânia a menina que salvava livros.

Noemi N. Ansay

 

https://www.meionorte.com/noticias/menina-salva-livros-em-enchente-e-foto-dela-abracada-a-eles-comove-319423

http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2017/06/menina-salva-livros-ao-fugir-de-enchente-em-pe-e-comove-web.html

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