Aonde a gente vai, papai? Jean-Louis Fournier

Depois de entrar no Camaro, Thomas, dez anos, repete, como sempre: “Aonde a gente vai, papai?

No início respondo: “Vamos para casa.”
Um minuto depois, com a mesma candura, ele faz de novo a mesma pergunta sem ênfase. No décimo “Aonde a gente vai, papai?”, não respondo mais…
Não sei mais muito bem aonde vamos, meu pobre Thomas.
Vamos por água abaixo. Vamos direto para o paredão.
Um filho deficiente, depois dois. Por que não três…
Eu não esperava por isso.
Aonde a gente vai, papai?
Vamos pegar a estrada, na contramão.
Vamos para o Alasca. Vamos acariciar os ursos. Vamos nos fazer devorar.
Vamos pegar cogumelos. Vamos colher Amanita phalloides para fazer uma boa omelete.
Vamos à piscina, vamos mergulhar do grande trampolim, em um tanque em que não há água.
Vamos para o mar. Vamos ao monte Saint Michel. Vamos passear na areia movediça [….]
Imperturbavél, Thomas continua: “Aonde a gente vai papai?” Talvez ele bata o próprio recorde. Depois da céntesima vez, a coisa fica realmente irresistível. Com ele, a gente não se entendia, Thomas é o rei do bordão.
FOURNIER, J.L. Aonde a gente vai papai? Rio de Janeiro: Intrínsica, 2009, p.8-9.
Li este livro hoje, maravilhoso, 158 páginas de surpresas, drama e bom humor…. esta é única coisa boa de se andar de ônibus.
Noemi
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