Saul e David tocando diante dele

Saul está fechado no palácio de seu silêncio,
cativo da melodia de seu pagem e inimigo.
A curva da harpa é um pórtico fechado
que não o deixa entrar no vergel melodioso.

E as finas mãos de David, entre as múltiplas cordas,
são como claros pássaros do outro lado das grades,
seu vôo se aproxima e afasta, alternativo,
vôo elevado, vôo longo e saudoso,

levado pela quimera
até a porta do cântico.
E Saul escuta-o, com o sangue nas têmporas,
atira a lança que vibra no espaço
e enterra-se
na parede.

E Saul ficou de mãos vazias.

Paguiz, Dan (1930) Originário da Rumânia, passou a segunda guerra Mundial num campo de concentração nazista. Sua primeira coleção de poemas publicou-se em 1959.

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