A árvore canta para o rio
Tu que levaste meu outono aureolado
recolhendo meu sangue nas folhas mortas
tu que verás minha primavera, pois ela volta,
quando chegar a estação do ano.
Rio, irmão meu, tu que te perdes para sempre
novo todos os dias, e outro e o mesmo,
a correnteza, meu irmão entre as suas margens
corre como eu entre a primavera e o outono.
Pois eu sou a borbulha e sou o fruto
o meu passado sou e o meu futuro,
e sou o tronco a si mesmo abandonado
e tu – tu és meu Tempo e meu poema.
Lea Goldberg
Livro: Poesia de Israel
Rio de Janeiro: Ed. Civilização Brasileira, 1962
