Portraits

La vie em close II

Nossas verdades…
as mais difíceis e duras,
as mais arcaicas e infantis,
as mais reprimidas e desinibidas,
todas expostas e enfileiradas
sob uma luz fria e transparente.

Verdades nuas e cruas,
sólidas, líquidas, fluídas,
em tons acinzentados,
esverdeados e lilases,
com seus contornos disformes,
com linhas abertas, lançadas ao horizonte.

Nossa humanidade,
contraditória, complexa,
racional, emocional,
orgânica, visceral,
fraca e temerosa,
com seus pedaços jogados pelo chão.

Nossas memórias,
do vivido e sonhado,
dos amigos e parentes,
arquivadas em pastas,
pacotes, baús, porões
sotons e sepulcros.

Nossas marcas,
deixadas em tudo que fazemos ou tocamos,
uma parte do que somos,
tatuadas em gente, em coisas, no trabalho,
marcas, as vezes feitas a ferro e fogo
marcas inscritas na pele.

Nossas músicas,
sonoridades em construção,
ritmo, melodia e harmonia,
que falam ao corpo, a mente, e emoções.
Músicas emprestadas de outros
para comunicar sentimentos próprios.

Nossos sons,
mais internos e profundos,
viscerais e involuntários,
um coração pulsante,
uma respiração ofegante,
uma mente ruidosa.

Nossas (in)capacidades
fonte inesgotável de possibilidades,
de novos horizontes,
impulso para criar, redescobrir-se,
reencontrar-se,
limites que apontam para o novo.

Nossas vidas,
filmadas, fotografadas,
por lentes que amplificam
a alegria e a dor.
É a vida em close
pra quem quiser e puder ver .

N.N.A 28/06/2008

Heróis Demais – Laura Restrepo

Fotos em Bogotá, Noemi Ansay
Trechos do Livro : Heróis Demais da escritora Colombiana Laura Restrepo
 […] diz Schlink -, ” porque a consciência adormece, se anestesia, quer dizer, não porque tomamos esta ou aquela decisão, mas porque o que decidimos é precisamente não tomar nenhuma, como se a vontade estivesse sobrecarregada pela impossibilidade de encontrar uma saída e decidisse parar de pedalar e rodar em câmara lenta enquanto o caminho permite” (p.137)
[…] O vento soprava e arrastava uma areia que se metia nos olhos da gente. O Miche tem um açougue lá na Villa Gesell e mora na parte de trás. A primeira coisa que me disse, quando desci do ônibus, foi que ia me preparar um bife de cinema, que tinha me reservado o melhor corte de carne, que essa era carne de verdade mesmo, que na Colômbia nunca tínhamos visto nada parecido, que me preparasse para comer o melhor bife de contrafilé da minha vida.
Mateo gostou da voz do tio, que para ele soou tranquila. […] além disso, tinha mostrado o conjunto de facas suíças que usava no açougue. Disse que custava uma fortuna e que era seu maior orgulho. – Marca SWIBO, Lorenza, imagina só ? Imagina Swiss Army mas pra açougueiros, de cabo amarelo, ergonômico. Tinha pelo menos doze dessa, de formatos diferentes.
[…] – Tudo se encaixa Lorenza- Mateo disse- Entregar a herança era a prova a que o herói tinha de ser submetido. Como Luke Shywalker em Star wars, como não se deu conta? 
– Não se preocupe eu não tenho dois anos e meio. Se eu cheiro uma ramonada, dou o fora e esse Ramón não me alcança nem nas curvas.Total, tenho a metade do peso dele e sou uma cabeça mais alto. Confie em mim, Lorenza. Vou ver quem é esse homem e volto quando souber.

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