
Um homem horroroso entra e mira-se no espelho.
” Por que você se mira no espelho, já que isso lhe causa apenas desprazer?
E o homem horroroso responde-me: ” Senhor, conforme os imortais princípios de 89,
todas as pessoas são iguais nos seus direitos; possuo, pois, o direito de me mirar; com prazer
ou desprazer, isso só diz respeito à minha consciência”.
Em nome do bom-senso, eu estava sem dúvida, certo; porém, do ponto de vista legal, ele não
estava errado.
BAUDELAIRE, Charles. O esplim de Paris: pequenos poemas em prosa. São Paulo: martim Claret,
2010
