Federico García Lorca

Federico García Lorca - Sonetos do Amor Obscuro e Divã Do Tamarit

Casida II

DO PRANTO

Fechei a minha sacada
porque não quero ouvir o pranto,
mas por detrás dos muros grises
não se ouve outra coisa que o pranto.

Há pouquíssimos anjos que cantem,
há pouquíssimos cães que ladrem,
mil violinos cabem na palma da minha mão.

Mas o pranto é um cão imenso,
o pranto é um anjo imenso,
o pranto é um violino imenso,
as lágrimas amordaçam o vento,
e não se ouve outra coisa que o pranto.

LORCA, F.G. Sonetos do amor obscuro e divã do Tamarit. São Paulo: MEDIA fashion, 2012.

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