
Casida II
DO PRANTO
Fechei a minha sacada
porque não quero ouvir o pranto,
mas por detrás dos muros grises
não se ouve outra coisa que o pranto.
Há pouquíssimos anjos que cantem,
há pouquíssimos cães que ladrem,
mil violinos cabem na palma da minha mão.
Mas o pranto é um cão imenso,
o pranto é um anjo imenso,
o pranto é um violino imenso,
as lágrimas amordaçam o vento,
e não se ouve outra coisa que o pranto.
LORCA, F.G. Sonetos do amor obscuro e divã do Tamarit. São Paulo: MEDIA fashion, 2012.



