Poema: Super- Homem Metamorfoseado

Super-Homem Metamorfoseado


O homem que um dia julgou ser o super-homem é uma farsa !
Atrás dos nervos de aço, da visão telescópica,
esconde-se a fragilidade,  o efêmero,
a finitude da vida que se encerra na cova.
O medo de “ser ou não ser” o paralisa,
não suporta mais o peso de decisões.
Salvará uma cidade de um tornado
ou um pobre cego que atravessa a rua?
Ah… a desproporção das urgências do mundo,
o desequilíbrio entre os perigos individuais e coletivos,
a angústia de ser bem sucedido,
de ter todas as respostas para os problemas do mundo.
O homem de azul e vermelho,
pode bem sucumbir as vicissitudes das desilusões terrestres,
ao reflexo da sua imagem no espelho,
ao gosto amargo da dor e da desesperança.
Frente à força mítica das kriptonitas
suspende o que faz, fica silente,
os joelhos fraquejam, o peso do mundo cai sobre seus ombros,
fora do combate, chora suas perdas irreparáveis.
Nesse herói por demais humano,
a felicidade é inverossímil, inalcançável,
já a dor, orgânica e  inevitável
a lágrima é velada atrás dos olhos que são de raio X.
A mescla do ardor e da angústia
é esmagadora e cruel,
para enfrentá-la,
silencia, grita sem voz.
Esconde-se atrás de seu alter ego,
tira os óculos, finge o que não é,
luta com a sua brutalidade e egoísmo,
com o cotidiano que o sufoca com garras afiadas.
O super-homem
tem medo do que não entende,
foge assustado, desaparece na penumbra,
esconde as cicatrizes por baixo da couraça que o protege.
Cansado… imerso em seu mundo invertido,
espera a maturidade que talvez não chegue,
espera as flores que talvez não nasçam,
espera a música que talvez não soe,
espera a liberdade que talvez só encontre dentro de si mesmo.
n.n.a     
Foto: Aeroporto de Congonhas 05/11/2012

Hilda Hilst

Exercícios

VIII

Ser terra
E cantar livremente
O que é finitude
E que perdura.
Unir numa só fonte
O que souber ser vale
Sendo altura.

Hilda Hilst

HILST, Hilda. Exercícios. São Paulo: MEDIAfashion, 2012

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