
Pablo Neruda nasceu no dia 12 de julho de 1904, no Parral, no Chile. Foi prêmio Nobel de literatura em 1971. Sua obra é vasta e muito premiada, pela beleza, engajamento político e um olhar instigante e inquieto do mundo. Morreu a 23 de setembro de 1973 em Santiago do Chile.
O relato do seu primeiro livro é comovente e diz muito aqueles que ousam registrar no papel sua
“mirada” do mundo. Os desafios são grandes, mas não intransponíveis. Ousadia eis a palavra de ordem!!
Pablo narra em seu livro de memórias ” Confesso que vivi” (1984):
Meus primeiros livros
Em 1923 foi publicado meu primeiro livro: Crepusculario. Para pagar a impressão tive dificuldades e vitórias a cada dia. Vendi meus poucos móveis. Na casa de penhores foi parar rapidamente meu relógio que solenemente me tinha presenteado meu pai, relógio em que ele tinha mandado pintar duas bandeirinhas entrelaçadas. O relógio foi seguido pelo meu traje negro de poeta. O impressor era inexorável e, por fim, pronta totalmente a edição e coladas as capas, disse com ar sinistro: ‘Não, não levará um só exemplar sem antes me pagar tudo.” O crítico Alone proporcionou generosamente os últimos pesos, que foram tragados pelas mandíbulas de meu impressor; e saí para a rua com meus livros debaixo do braço, com os sapatos rotos e louco de alegria.
Meu primeiro livro! Sempre sustentei que a tarefa do escritor não é misteriosa, nem mágica, mas que, pelo menos a do poeta, é uma tarefa pessoal, de benefício público. O que mais se parece com a poesia é o pão ou um prato de cerâmica ou uma madeira delicadamente lavrada, ainda que por mãos rudes. No entanto creio que nenhum artesão pode ter, como o poeta tem, por uma única vez durante a vida, esta sensação embriagadora do primeiro objeto criado por suas mãos, com a desorientação ainda palpitante de seus sonhos. É um momento que não voltará nunca mais.
Pablo Neruda
NERUDA, Pablo. Confesso que vivi. Memórias. São Paulo: Difel, 1984