Entrevista com José Marcelino Rezende Pinto – PNE
Veja a entrevista completa: http://www.anped.org.br/news/entrevista-com-jose-marcelino-rezende-pinto-pne
Entrevista com José Marcelino Rezende Pinto – PNE
Veja a entrevista completa: http://www.anped.org.br/news/entrevista-com-jose-marcelino-rezende-pinto-pne
De Talca a Santiago de Trem
São sete horas da manhã,
embarco no trem Terrasur,
trabalhadores e estudantes,
entram sonolentos pelo vagão.
A cidade dorme,
ainda é noite,
com o passar das horas
o dia desperta preguiçoso.
Duas cordilheiras acompanham a viagem,
de um lado a dos Andes e do outro a da Costa,
os vinhedos parecem não ter fim,
diante dos olhos que têm sede de ver e absorver tudo.
No rádio, o repórter comunica:
– Rosanna Valdéz, chilena de 38 anos,
mata e esquarteja o companheiro.
– Dez idosos morrem em um incêndio no asilo.
– O avião da Malásia continua desaparecido.
A loucura que mora ao lado,
a solidão e tristeza,
o mundo vai mal…
choro, ouvindo as tristezas do mundo.
O Quake Red Alert (Alerta Vermelho para Terremotos) é um grupo de pesquisadores brasileiros que desenvolveu o método para previsão de terremotos mais eficiente da atualidade, capaz de indicar a ocorrência de um abalo sísmico com até 07 dias de antecedência, enquanto que os métodos convencionais só conseguem alertar a população com, no máximo, 10 segundos de antecedência.
Terremoto em Terras Chilenas
Não era mentira, primeiro de abril,
terremoto no Chile,
alarme de tsunami em toda zona costeira,
uma catástrofe está às portas no cinturão de fogo.
– Desocupem a área litorânea:
Iquique, Arico, Parinacota,
Pizagua, Concepción, Tomé.
A cidade de Iquique dormiu na escuridão,
a população correu para os lugares mais altos.
Quando amanheceu,
todo queriam acordar do pesadelo
e voltar para suas casas.
Alguns não suportaram, morreram do coração,
lembrando as tragédias dos abalos da morte.
Eu, estrangeira e desavisada que sou,
morando na cidade de Talca,
passei toda noite em claro,
com um pequeno abalo sísmico no peito,
ouvindo as notícias do rádio,
pessoas que por celulares mandavam mensagens:
– Avisa o meu pai e minha mãe que estou bem!
– Avisem meus filhos que estou bem!
– Avise a Valentina que estou bem e que a amo!
n.n.a
Assim que cheguei em Talca, um lindo menino chileno me perguntou: – Você tem medo de terremotos? – Sim ! Respondi rápido, desacostumada que sou com esses fenômenos da natureza, e para me mostrar seu conhecimento do assunto foi logo me contando dos tremores e terremotos, que acontecem no Chile. Empolgado com a conversa emendou mais uma questão: – E quais são as catástrofes naturais que têm na sua cidade, no Brasil ? Moradora da cidade de Curitiba, no Paraná, pensei e respondi: – Bem…na minha cidade não tem nenhuma…nossas maiores catástrofes são aquelas provocadas pelo homem mesmo, aquilo que faz ou deixa de fazer com o que tem.
Entre Santigo e Talca
Saindo de Santiago
se passa por Rancágua,
São Fernando, Romeral,
Curicó e Molina.
O coração viajante:
vê, ouve, toca, cheira e come,
a paisagem ‘hermosa’ dos vinhedos,
que se desnuda, sem pudor bem a sua frente.
Faz frio,
e o ar fresco e perfumado
dos eucaliptos e dos vinhedos,
limpa o corpo e a alma.
A estrada generosa
convida os olhos a contemplação:
o céu azul, as montanhas
e o verdor das macieiras e das parreiras altivas.
O campo nu
é um colo macio,
um beijo, um abraço
nos viajantes cansados.
O movimento na estrada é intenso,
homens apressados seguem rumo ao sul,
e a Cordilheira dos Andes sempre atenta a tudo,
os vigia de longe.
O destino do viajante
é a província de Talca,
em mapuche ‘o trovão’,
capital da região de Maule.
Um coração amigo,
uma família talquina,
aguarda o estrangeiro na estação.
O que o espera?
só o tempo dirá.
Noemi Ansay