Poema: Prunus Persica

Prunus Persica

Lindo pessegueiro debruçado sobre um rio, 
cogita:  –  Por que nasci aqui ?
Não havia uma explicação lógica,
todos as espécies das rosáceas nascem em lugares frios,
só esse pobre arbusto brotou em um território escaldante.

Como poderia florescer e dar frutos?
árvore chinesa,
caprichosa e pequenina,
teimosa e determinada,
floresceu alimentada pelas águas do rio.

Quando suas pequenas flores nasceram,
nos galhos compridos e secos,
causaram admiração,
até o rio pensou: –  O que é este ser? Não devia estar aqui!
– Nasceu no lugar errado! 

Então tudo se fez rosa, fúcsia, tea rose
os passantes resolveram admirar a árvore do frio,
comeram suas flores e levaram os galhos floridos para suas casas,
a árvore perdeu todas as flores e ganhou um verde vivo e lustroso,
nasceram-lhe frutos amarelados e doces.

O rio novamente ficou admirado:
– Pêssegos nunca haviam nascido aqui!
E os frutos foram abundantes,  carnosos,
nutritivos e calmantes,
todos que passavam por ali, alimentavam-se.

Depois que tudo passou, a árvore dormiu,
só ficaram os galhos secos e compridos,
o rio continuava a correr veloz, 
às vezes parava para ver a árvore, 
que parecia morta, 
mas estava viva,  
pulsante,
grávida de vida,
só esperando a próxima florada.

n.n.a


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