Poema: As Mulheres da Penitenciária

As Mulheres da Penitenciária

Atrás daquele impenetrável muro alto,
da guarita e do arame farpado,
reside o sofrimento, a dor, a culpa,
uma condenação que grita alto.
Olhares vagos,
às vezes desconfiados,
mãos calejadas e sujas de sangue,
corpos violados e corações partidos.
Atrás daquelas grades,
mora uma filha, uma mãe, uma avó,
mora um pouco de mim e de você
eu, você, nós.
Nesse lugar  cinza,
silencioso e sombrio,
as lágrimas são diárias,
e cada uma come o pão que o diabo amassou.
Atrás daquele impenetrável muro alto,
da guarita e do arame farpado,
mora a Maria, a Rosa e a Graça
mora um pouco de todos os homens e mulheres do mundo.
Olhos brilhantes e úmidos,
mãos que trabalham,
corpos pulsantes, dançantes,
sorrisos  tímidos e desconcertados.
Atrás daquelas grades de ferro,
um  jardim floresceu, 
um coral cantou, flautas soaram,
e ouviu-se vozes ecoando.
Nesse lugar cinza, 
anjos desceram,
fez-se um céu azul e o sol brilhou,
a vida passou pelas frestas
e fez renascer a esperança.
n.n.a

“Lembrai-vos dos encarcerados, como se estivésseis aprisionados com eles; e todos aqueles que sofrem maus tratos, como se vós pessoalmente estivésseis sendo maltratados.”  Hebreus 13:3

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