Porcos jamais terão asas

 

 

 

 

 

Porcos jamais terão asas

uma frase grita na parede grafitada
no centro de Curitiba:
“Nos porcos não crescerão asas jamais”
parece tão óbvio, tão óbvio, mas não é.
dos porcos pode se esperar tudo,
menos que voem,
sua cabeça triangular, suas patas curtas,
seus dentes afinados, seu pelo encardido,
a sujeira estampada na forma de calúnias e mentiras.
porcos não olham o céu,
míopes, só vem seus interesses escusos,
sua podridão, seu cheiro fétido 
sente-se nos palácios, 
no congresso e nas câmaras,
no suborno, na corrupção e na maldade.
porcos não consideram o povo,
olham com desdem para o próximo,
se acham melhores, mais inteligentes,
dizem com a boca cheia de porcarias:
- Vocês não precisam pensar, nós decidiremos por vocês.
porcos são mestres na arte da dissimulação,
revestem seus discursos de docilidade,
de falsas promessas,
seus olhos têm um brilho malicioso,
de quem ficará impune.
mas é certo que um dia,
eles cairão na cova que cavaram para nós,
porcos não ficarão impunes,
porque porcos jamais terão asas!
jamais terão asas!

n.n.a

 

 

Devaneios de verão

devaneios de verão

diante de um devir incerto:
dissonou, despedaçou
despetalou, definhou,
quase demenciou.

se não fora aquele Sol de verão,
e a força do seu calor,
teria sucumbido,
ao desassossego do seu coração.

n.n.a

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