Poesia: Noh 能

Noh  能


Na máscara do Shite
o enigma, o mistério,
a voz medieval,
as mãos hábeis,
os passos medidos,
o ir e o ficar,
o sobrenatural.
O Waki
sem máscara,
de carne e osso,
com os pés no chão,
revela ousadia na voz,
frágil humanidade,
ousa olhar para o mundo do além.
Na orquestra:
o tamboril pequeno,
o tamboril grande,
o tambor de baquetas,
a flauta de bambu,
o coro de homens,
música essencial.
A poesia,
a música,
os movimentos lentos,
o suntuoso vestuário,
arrebata os sentidos,
tudo é sereno
calmo
zen.
noemi n. ansay

Teatro Noh em Curitiba

Teatro Noh em Curitiba, em uma memorável apresentação comemorando 102 anos da imigração japonesa para o Brasil. 

Foi especial assistir um espetáculo no Teatro Guairinha, o figurino, a música, as máscaras são impecáveis e a emoção é única. É uma viagem no tempo e na história.

O Teatro Noh é uma forma clássica de teatro profissional japonês que combina canto, pantomima, música e poesia com as mesmas peças sendo executadas desde o século XIV, com os mesmos textos, movimentos e poesias.

É preciso ousar !!! Paulo Freire

É preciso ousar, no sentido pleno desta palavra, para falar em amor sem temer ser chamado de piegas, de meloso, de a-científico, senão de anti-científico. É preciso ousar para dizer, cientificamente e não bla-bla-blantemente, que estudamos, aprendemos, ensinamos, conhecemos com o nosso corpo inteiro. Com os sentimentos, com as emoções, com os desejos, com os medos, com as dúvidas, com a paixão e também com a razão crítica. Jamais com, esta apenas. É preciso ousar para jamais dicotomizar o cognitivo ‘do emocional É preciso ousar para ficar ou permanecer ensinando por longo tempo nas condições que conhecemos, mal pagos, desrespeitados e resistindo ao risco de cair vencidos pelo cinismo. É preciso ousar, aprender a ousar, para dizer não à burocratização da mente a que nos expomos diariamente. É preciso ousar para continuar quando às vezes se pode deixar de fazê-la, com vantagens materiais. Nada disso, porém, converte a tarefa de ensinar num que–fazer de seres pacientes, dóceis, acomodados, porque portadores de missão tão exemplar que não pode se conciliar com atos de rebeldia, de protesto, como greves, por exemplo. A tarefa de ensinar é uma tarefa profissional que, no entanto, exige amorosidade, criatividade, competência científica mas recusa a estreiteza cientificista, que exige a capacidade de brigar pela liberdade sem a qual a própria tarefa fenece.

FREIRE, P. Professora sim, tia não.  São Paulo: Olho D’Água, 1997.



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