Poema: Dia Frio no Hospital

Hospital militar de Trois Quartiers, na França, durante a Primeira Guerra Mundial (Foto: AFP)


Dia Frio no Hospital

A dor é fria e viscosa,
às vezes chega de fininho
e às vezes de forma abrupta e violenta.
Uma coisa é certa, a dor não faz cerimônia,
insuportável, tinhosa e intransferível,
não cede fácil, faz pirraça e é exigente.

Deitada na maca do hospital, 
com os sentidos aguçados:
sinto um gosto amargo na boca, 

ouço vozes e gemidos, 
vejo  as marcas da dor em corpos seminus,
crianças choram e velhos resmungam.

Atentos, enfermeiros e médicos,
sentem a atmosfera carregada de padecimento,
contra-atacam como podem:
profissionalismo, medicamentos, intervenções,
bom humor, alegria, respeito e pequenos elogios.
Ah… a força regeneradora do AMOR.

Faz frio em Curitiba,
sinto meus pés congelados,
o hospital está cheio,
a dor humana não tem trégua,
mesmo assim,
não arredam os pés dali:
a Fé, a Esperança e o Amor.

Noemi N. Ansay
20/05/2016.

A Olhos Nus Ná Ozzetti Trilha Sonora Velho Chico ‘Zé Miguel Wisnik’ (Leg…

A Olhos Nus

Uma vez amanheceu
Meu pai mostrou o céu
Onde nasceu redondo o sol
Abrindo um rombo no azul
Abrindo um sonho
Abrindo um tambor de luz
Que enchesse a fábrica
Com seu óleo cru
E penetrasse os sonhos da família

A olhos nus
Raios de luz
Trabalhando o dia, raios de luz
Trabalhando o dia, raios de luz
Trabalhando o dia, raios de luz
Aquele dia, raios de luz

Meu pai mostrando o sol
Um rombo azul
A olhos nus
Raio de luz

Ná Ozzetti

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