Wladimir Dias Pino no Mar


Fiquei fascinada no Rio de Janeiro com a obra de Wladimir Dias-Pino: poeta, artista, designer.
Nascido no Rio de Janeiro, Dias-Pino migra ainda criança para o Mato Grosso e retorna à capital fluminense para se tornar um dos precursores da poesia concreta e uma relevante referência para os preceitos neoconcretos. Nesse contexto, passa a compreender que seu interesse é menos pelo sentido ou pela forma final da poesia, mas sobretudo pelos modos de estruturar o poema – de sua materialidade ao caráter participativo do leitor –, o que o estimula a criar, junto a outros artistas, o movimento do poema/processo (1967-1972). Paralelamente aos dois movimentos que dominavam o eixo Rio-São Paulo nas décadas de 50 e 60, Dias-Pino, junto a Álvaro de Sá e outros artistas do Rio Grande do Norte, Pernambuco, Minas Gerais e Mato Grosso, desenvolve esse método de vanguarda que repensa o poema para além de sua dimensão de signo linguístico, transformando o livro ou qualquer outro suporte em poemas, manipuláveis simbólica, estrutural e fisicamente pelo leitor.

Geraldo Azevedo – Pout Pourri Correnteza (Caravana, Talismã, Barcarola d…

Caravana

Corra não pare, não pense demais

Repare essas velas no cais

Que a vida é cigana

É caravana

É pedra de gelo ao sol

Degelou teus olhos tão sós

Num mar de água clara.

Geraldo Azevedo

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