Harumi Murakami

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答えたひと 村上春樹 絵 フジモトマサル

Me encanta a ideia de ler autores dos lugares para onde viajo, conhecer por meio dos seus olhos nativos, curiosos e no caso do Haruki Murakami, olhos orientais. Antes de embarcar para o Japão, parada obrigatória em uma livraria. Sai de lá bem acompanhada: ” Ouça a canção do vento – Pinball, 1973″.

Ele começa seu livro primogênito contando que em sua vida, tudo aconteceu de trás pra frente, o esperado era estudar, trabalhar e casar, ele casou, trabalhou e depois foi estudar. Montou um restaurante com sua esposa e escreveu ali mesmo, seu primeiro livro. Sua escrita é ligeira, frases curtas, povoada de personagens  que parecem transitar entre o sonho e a realidade, o texto traz muitas referências musicais ( principalmente pop e jazz) e a forma como retrata a vida em uma metrópole, prendem os leitores, que se rendem ao seu talento de conhecer de perto a intimidade cotidiana dos humanos.

“Para mim, escrever é penoso. Às vezes, passo um mês inteiro sem conseguir escrever uma linha seque. Ou, então, escrevo por três dias e três noites sem parar só para me dar conta, no fim, de que está tudo errado.

Ainda assim, escrever também pode ser divertido. Atribuir sentido à vida é muito fácil se compararmos ao quanto é difícil vivê-la de fato.

Acho que era adolescente quanto percebi isso, e fiquei tão surpreso que passei uma semana sem abrir a boca. Senti que, se eu agisse certo, o munto inteiro obedeceria às minhas vontades, e que eu poderia inverter todos os valores, mudar a direção do tempo.

Infelizmente, só descobri muito tempo depois que isso era uma armadilha. Tracei uma linha no centro de uma folha de caderno e escrevi no lado esquerdo tudo o que havia ganhado e, no direito, o que havia perdido. No fim das contas, eu havia perdido tanto – coisas que eu havia abandonado, sacrificado, traído – que não tive espaço suficiente para terminar a lista.

Há um fosso profundo entre as coisas das quais gostaríamos de ter consciência e aquilo que realmente temos. Nem a régua mais comprida conseguiria medir a profundidade desse fosso. O que eu poderia registrar aqui é apenas uma lista. Não é um romance, nem literatura, muito menos arte. É apenas um caderno, com uma única linha traçada no centro. Até pode ser que ele tenha algum tipo de moral.

Se você estiver procurando arte e literatura, o melhor é ler os gregos. Porque, para criar arte de verdade, é indispensável um regime escravocrata. Como na Grécia antiga: os escravos arando os campos, preparando a comida, remando os barcos e, em meio a eles, os cidadãos absortos pela poesia, dedicados à matemática. A arte é isso.

Há um limite para o que pode ser escrito por um sujeito que vasculha a geladeira na cozinha às três horas da manhã enquanto o mundo dorme.

É esse o meu caso.”

(MURAKAMI, 2016, p. 24-25)

Site do Escritor Haruki Murakami

E quando a tempestade tiver passado, mal te lembrarás de ter conseguido atravessá-la, de ter conseguido sobreviver. Nem sequer terás a certeza de a tormenta ter realmente chegado ao fim. Mas uma coisa é certa. Quando saíres da tempestade já não serás a mesma pessoa. Só assim as tempestades fazem sentido.

Haruki Murakami

 

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