
Paraná é indígena


Nem imagino onde eles estão agora.
Era mais fácil quando vestiam o pijama
e pediam a história do elefante azul.
Parece que restou um cheirinho de talco
na almofada do quarto;
deve ser só impressão…
Nesse tempo, eu não tinha medo da noite
ela era o telhado dos poetas;
as sombras eram apenas a franja
mal aparada dos anjos.
A trava na porta me bastava.
Hoje, as camas vazias me assustam.
Elas acusam o passar das horas
e denunciam a revoada dos pardais,
os meus pardais.
Já não posso abrir minhas asas sobre eles.
São pequenas demais para cobri-los,
frágeis demais para defendê-los.
Ainda bem que me resta a prece,
minha aliada nos dias de nuvens e
nas madrugadas sem fim.
Peço perdão pela insistência,
mas reza de mãe é assim mesmo:
pura perseverança.
Que Deus abençoe minhas crianças
de barba na cara e calçado quarenta e dois
(o resto na vida é secundário e fica pra depois);
que as ilumine com Seu sorriso
e, se preciso, acione Seu séquito de estrelas
(se tiver que usá-las, prometo devolvê-las).
E quando o cansaço me quiser já recolhida,
hei de poder sorrir pela missão cumprida.
© Flora Figueiredo, Reza de Mãe, in Chão de Vento, 2005

Olá Pessoal, tudo bem?Seguimos com mais um episódio de nossa segunda temporada pra conversarmos um pouco sobre a prática da Musicoterapia na área educacional, refletindo sobre algumas de suas variações, aplicabilidades e complexidades nessa área de atuação.E pra enriquecer nossa conversa, contamos com a participação de Denise Suzuki (musicoterapeuta, mestre em saúde coletiva e doutoranda em saúde e educação) e Noemi Ansay (musicoterapeuta, mestre em educação e doutora na linha de pesquisa de políticas educacionais).
Então escolha o seu player favorito, aperta o play e vem com a gente nesse bate papo!
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