Na primavera, quando resolvi escrever sobre coisas brancas, a primeira coisa que eu fiz foi uma lista.
Cueiro, Roupa de recém-nascido, Sal, Neve, Gelo, Lua, Arroz, Onda, Magnólia-branca, Pássaro branco, Sorrir Brancamente, Papel branco, Cão branco, Cabelo branco, Sudário.
Granizo
A vida não é particularmente gentil com ninguém. O granizo cai enquanto ela caminha sabendo desse fato. Granizo que molha a testa, as sobrancelhas e as bochechas. Tudo passa. Ao andar, ela se lembra de que, no fim, tudo que você se agarra usando todas as forças vai desaparecer. Enquanto isso, o granizo cai. Não é chuva e nem neve. Não é gelo e nem água. Mesmo que ela feche ou abra os olhos, mesmo que fique parada ou ande depressa, o granizo umedece suas sobrancelhas e sua testa.
Han Kang

Seguimos em frente na beira do precipício invisível que se renova minuto a minuto. Ao fim desse tempo que vivemos, damos um pequeno passo e, sem interferência ou hesitação, pisamos no ar com o outro pé. Não porque somos especialmente corajosos, mas sim porque não há outra alternativa.
Han Kang, O Livro Branco, 2023

A vida é uma coisa tão estranha, ela pensou, depois de parar de rir. Mesmo depois de certas coisas acontecerem com elas, por mais terrível que seja a experiência, as pessoas continuam comendo e bebendo, indo ao banheiro e se lavando – vivendo, em outras palavras. E às vezes até riem alto.
Han Kang
A vegetariana (2007).
Li, esses dois livros, em janeiro, em dois dias. Han Kang, escreve com tal voracidade, que o leitor se entrega a uma leitura veloz e atenta. Impossível parar, depois que você começa. Trata com fúria e delicadeza temas relacionados a saúde mental, relações familiares, artes, luto e o cotidiano dos coreanos.
