Ostras – Seamus Heaney
Nossas conchas craqueavam nos pratos.
Minha língua era um estuário se enchendo.
Meu palato curvado de estrelas:
Enquanto eu degustava as Plêiades salgadas
Órion mergulhava o pé na água.
Vivas e violadas,
Jaziam nos leitos de gelo:
Bivalves: o bulbo partido
E o suspiro galanteador do oceano.
Milhões delas rompidas, arrancadas, dispersadas.
Fôramos de carro àquela costa
Através de flores e calcários
E lá estávamos, brindando à amizade,
Depondo uma lembrança perfeita
No frescor do colmo e da louça de barro.
Nos Alpes, metidos em neve e feno,
Os romanos carrearam ostras rumo ao sul até Roma:
Vi alcofas úmidas vomitarem
A fronde-lambida, salmora-picante
Glutonia de privilégio
E me irritava que minha fé não pudesse repousar
Na clara luz, qual poesia ou liberdade
Inclinando-se do mar. Comi o dia.
Deliberadamente, para que seu travo
Me avivasse todo em verbo, puro verbo.
HEANEY, SEAMUS. Poemas. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
Lindo Rio de Janeiro – Samba do Avião
Na ponte Rio-Niterói
Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Confeitaria Colombo
Gustavo Cerati – Corazon Delator
Corazon Delator
Un señuelo
hay algo oculto en cada sensación
ella parece sospechar parece descubrir en mi
debilidad
los vestigios de una hoguera
oh mi corazón se vuelve delator
traicionándome
Por descuido
fui víctima de todo alguna vez
ella lo puede percibir ya nada puede impedir en mi
fragilidad
es el curso de las cosas
oh mi corazón se vuelve delator
se abren mis esposas…
un suave látigo una premonición
dibujan llagas en las manos
un dulce palpito
la clave intima
se van cayendo de mis labios
(mantra)
Un señuelo
hay algo oculto en cada sensación
ella parece sospechar parece descubrir en mi
que aquel amor
es como un océano de fuego
oh mi corazón se vuelve delator
la fiebre volverá de nuevo
un suave látigo
una premonición
dibujan llagas en las manos
un dulce palpito
la clave intima
se van cayendo de mis labios…
como un mantra
de mis labios
de mis labios
Poema: Em memória do “Y”
Em memória do “Y”
Lygia, Curitybana
Eloy, Nitheroyense,
Encontraram-se no Lyceu das letras aposentadas,
Ela tyipographa,
Ele toca lyra,
Ela faz analyse,
Ele é encyclopedico,
Ela cheira yasmim, lyrio, ylang-ylang,
Ele tem sangue guerreiro goytacaz,
Ela viajou para Parayba,
Ele para Goyaz,
Ela derramou milhares de lagrymas,
Ele escreveu uma encyclica,
Encontraram-se sessenta e seis anos depois,
celebraram Yom Kippur,
depois da nova reforma ortográfica.
n.n.a.
* Em 1943 as letras w,y, k foram tiradas do alfabeto da língua portuguesa e só voltaram a fazer parte dele na Nova Reforma Ortográfica a partir de 2009.
Gustavo Cerati – Puente
O ex-vocalista da banda argentina Soda Stereo, Gustavo Cerati, morreu nesta quinta-feira (4) após ficar quatro anos em coma. As informações são da agência France Presse. Cerati, de 55 anos, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) no dia 15 de maio de 2010 após terminar um show em Caracas, na Venezuela, onde apresentava seu disco solo “Fuerza Natural”.
Puente
Hoy te busqué en la rima que duerme
con todas las palabras
si algo callé es porque entendí todo
menos la distancia
desordené átomos tuyos
para hacerte aparecer
(un día más, un día más…)
arriba el sol abajo el reflejo
de como estalla mi alma.
ya estás aquí y el paso que dimos
es causa y es efecto
cruza el amor yo cruzaré los dedos
y gracias por venir
adorable puente
se ha creado entre los dos
cruza el amor
yo cruzaré los dedos y
gracias por venir
gracias porvenir
adorable puente…
cruza el amor
cruza el amor por el puente.
usa el amor, usa el amor como un puente.
Letra y música: Gustavo Cerati
Chamada de trabalhos da Revista Brasileira de Musicoterapia
Confira a chamada de trabalhos da revista brasileira de Musicoterapia : http://www.revistademusicoterapia.mus.br/chamada2014.php
Kirk Franklin – September
AMO !!!!!!!!!! Que venha setembro !!!!!!!!!
A lição dos poetas – Jacques Rancière
A lição dos poetas
É preciso aprender. Todos os homens têm em comum essa capacidade de experimentar o prazer e a pena.
Racine não tem vergonha de ser o que é: um miserável. Ele aprende Eurípedes e Virgílio decor, como um papagaio. Ele procura traduzi-los, decompõe suas expressões, recompõe de outra maneira. Ele sabe que ser poeta é traduzir duas vezes: traduzir em versos franceses a dor de uma mãe, a cólera de uma rainha ou a fúria de uma amante é também traduzir a tradução que Eurípedes ou Virgílio fizeram. […] Esse grande poeta supõe, exatamente, o contrário: ele só trabalha, só se esforça tanto, apaga cada palavra, modifica cada expressão porque espera que seus leitores compreenderão tudo, precisamente como ele próprio compreende.
[…] o poema é a ausência de outro poema.
Todo o esforço, todo o trabalho do poeta é suscitar essa aura em torno de cada palavra da expressão. É por isso que ele analise, disseca, traduz as expressões dos outros, que ele apaga e corrige sem cessar as suas. Ele se esforça para tudo dizer, sabendo que não pode dizer tudo, mas que é essa tensão incondicional do tradutor que abre a possibilidade de outra tensão, de outra vontade: a língua não permite dizer tudo, e ” é preciso que eu recorra e eu próprio gênio, ao gênio de todos os homens, para adivinhar o que Racine quis dizer, o que ele diria na qualidade de homem, o que ele diz quando não fala, o que não pode dizer enquanto não é somente poeta”.
Modéstia verdadeira do “gênio”, isto é,do artista emancipado: ele emprega toda sua potência, toda sua arte em nos mostrar seu poema como ausência de um outro, cujo conhecimento ele nos concede o crédito de possuir tão bem quanto ele próprio.
RANCIÈRE, J. O mestre Ignorante. São Paulo: Idêntica, 2013.
Obra de Racine: Fedra http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/fedra.html






















