Insignificante

Fotos: Heber Nascimento no Metro de  São Petesburgo

Insignificante

Desprezível, 
não merecia um olhar, 
uma carta, 
um telefonema,
vivia a margem de tudo,
alheia, ausente aos transeuntes,
sentia frio no corpo e na alma,
pensava com seus botões:
– O que fiz para ser tratada assim?
Chorou e dormiu
só no sonho podia ser feliz.
n.n.a

Noel Rosa " Não tem tradução"

Noel Rosa – Não tem tradução (por Henrique Cazes e Cristina Buarque)

O cinema falado é o grande culpado da transformação
Dessa gente que sente que um barracão prende mais que o xadrez
Lá no morro, seu eu fizer uma falseta
A Risoleta desiste logo do francês e do Inglês
A gíria que o nosso morro criou
Bem cedo a cidade aceitou e usou
Mais tarde o malandro deixou de sambar, dando pinote
Na gafieira dançar o Fox-Trote
Essa gente hoje em dia que tem a mania da exibição
Não entende que o samba não tem tradução no idioma francês
Tudo aquilo que o malandro pronuncia
Com voz macia é brasileiro, já passou de português
Amor lá no morro é amor pra chuchu
As rimas do samba não são I love you
E esse negócio de alô, alô boy e alô Johnny
Só pode ser conversa de telefone..

Abrigo

Abrigo

Alma amorosa,

almeja o abrigo do Alto,

abdica dos absolutos,

abraça seus absurdos,

abandona seus assombros amplificados.

Atraída por azaléas adocicadas,

amável abelha

absorve o âmago da Vida.

n.n.a

Marquês de Pombal

“Marquês de Pombal expulsando os jesuítas”, quadro feito pelo francês Louis-Michel van Loo, em 1766, em parceria com Claude Joseph Vernet

Pesca do Camarão no Farol de São Tomé

Ontem no Programa Globo Mar, passou uma reportagem interessantíssima na praia Farol de São Tomé, RJ.
Eu que nunca fico assistindo TV de noite, fiquei admirada com a coragem e a técnica dos pescadores e motoristas de tratores.
Tudo por um bom camarãozinho !!!!!!

http://g1.globo.com/platb/globomar/2012/04/05/tratores-auxiliam-barcos-na-pesca-do-camarao-na-praia-do-farol/

O Globo Mar foi ao litoral norte do Rio de Janeiro para falar de um dos reis dos mares, um rei dos pescados. Até parece um bicho enorme, mas, muitas vezes, ele não tem mais do que 20 centímetros. Estamos falando do camarão. As pessoas adoram esse bicho ao redor do planeta e, por isso, o camarão é um dos frutos do mar mais cobiçados e mais rentáveis, um item importante de exportação do nosso país. Por isso, fomos a Campos dos Goytacazes, no norte do estado do Rio, porque lá ele é pescado de forma única, que envolve inclusive o uso de vários tratores.

Nossa aventura começa na Praia do Farol de São Tomé. No local, não tem plantação, mas trator é o que não falta. As máquinas são os grandes aliados dos barcos. Eles trabalham juntos há mais de 30 anos na pesca artesanal do camarão. É que, na praia, não tem porto nem outro lugar para um barco atracar.

7º Seminário de Pesquisa em Artes FAP

A Coordenadoria de Pesquisa e os grupos de pesquisa da Faculdade de Artes do Paraná promovem o “7º Seminário de Pesquisa em Artes da FAP” entre os dias 20 e 22 de junho de 2012. A realização do 7º Seminário de Pesquisa em Artes da FAP tem como objetivo a apresentação e a divulgação dos resultados das atividades de pesquisa desenvolvidas no âmbito das linguagens artísticas, educação e cultura e a intermediação com pesquisadores de outras instituições de ensino superior.

Hélio Pólvora e Alfredo Bosi- pensamento

” Acho  que escrevemos basicamente para nos encontrar, contradizer, condenar e executar, sentenciados e carrascos a um só tempo. Não há heroísmo nisso. Há desespero. E não adianta ninguém se fazer de vítima” Hélio Pólvora

” A literatura acaba sendo uma organização da vida, uma formulação dos nossos sentimentos, das nossas experiências ” Alfredo Bosi. 

Aniversário de Curitiba

Parabéns Curitiba em seus 319 anos !!!!!!!!!!!!!!!!

Moça Curitibana
Trazia dentro de si a intemperança das estações:
invernos sombrios e frios,  primaveras incandescentes,
verões iluminados e outonos impacientes.
Havia dentro dela um tempo não cronológico,
um tempo guiado por sensações sazonais,
por mudanças constantes e imprevisíveis de humor.
Quatro estações em um dia, quatro humores em um dia,
precisava carregar na bolsa: uma sobrinha e uma manta,
uma porção de alegria e outra de desalegria,
de contentamento e de descontentamento.
A cada manhã dedicava-se a garimpar o sitio arqueológico do seu coração
media, marcava  e tomava a picareta nas mãos,
meticulosamente escavava camada por camada,
tirava entulhos, pedras e  pedregulhos,
resíduos, restos de outros tempos e outras gerações.
Trabalhava com afinco,
dia a dia, debaixo de sol e chuva,
todos os dias do anos, e por anos sem fim,
buscando forças para enfrentar o tédio,
os ônibus lotados, as desgraças da vida,
as intempéries de ser gente.
A alma da moça, tão caprichosa
gemia a cada golpe, gritava em silêncio,
insistia em querer entender o mundo,
os desvarios, a loucura, a insanidade do bicho homem.
Não podia compreender a humanidade desumanizada,
a tolerância com a intolerância,
a religião que mata,
e os “ditos”motivos pacíficos das guerras.
Percebia que o mundo girava e que era apenas um cisco no universo,
não conseguia acompanhar a moda das roupas, dos cabelos e das unhas.
Vivia correndo atrás do prejuízo e parecia sempre chegar atrasada.
Não queria agradar a todos, nem poderia, mas obstinadamente tentou.
Desejou então amar a todos, sem distinção de cor e credo,
amar com um coração puro, amar com o coração de Deus.
Viu de tudo um pouco e ainda não viu o bastante,
sentiu mais do que deveria e espantou-se com a força das emoções,
quem poderia abarcar, aprisionar, reter a força de ser tudo de todas as maneiras?
Já não pertencia a um só lugar,
Escutava sinfonias, samba e bossa-nova,
comia barreado, strudel e kafta,
vestia roupa indiana e dançava fandango e tango.
pertencia ao mundo  real, dos homens e mulheres de carne e osso
pertencia ao mundo virtual, com seus atalhos e attachments.
pertencia ao bairro, a cidade, ao país e ao mundo.

Moça Curitibana Paranaense Brasileira Globalizada.

n.n.a

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