Mar – Saudade
O mar
Não é nenhum poema
o que vos vou dizer
Nem sei se vale a pena
tentar-vos descrever
O mar
O mar
E eu aqui fui ficando
só para O poder ver
E fui envelhecendo
sem nunca O perceber
Raízes Lusitanas
Raízes Lusitanas
Silva, Pereira, Araújo,
Rodrigues, Dias, Freitas,
Fernandes, Rosário,
Costa, Queiroz, Ferreira.
Portugueses e portuguesas
Bisavós, avós e pais,
vindos de uma terra além mar,
da Pátria Mãe Lusitana.
D’onde vieram meus antepassados?
Algarve, Porto, Alentejo,
Lisboa, Madeira,
Beiras ou de Açores?
O que buscavam em terras
do continente americano?
Conquistar, desbravar, recomeçar,
seda, ouro e especiarias?
Ah, alma portuguesa…
Abrindo mares nunca antes conhecidos,
peritos na arte de navegar,
enfrentando a fúria de ventos e tempestades.
Alma portuguesa impressa nos azulejos pintados de Lisboa,
na poesia de Luís Camões, Eça de Queiroz e Fernando Pessoa,
na arte médica filosófica de Abel Salazar,
no Fado, canção melancólica portuguesa.
Sinto bem no fundo, que minha alma tem raízes lusitanas,
o gosto pelo vento, a melancolia do Oceano Atlântico,
o desejo dos conquistadores,
o inquietude nos grandes navegadores.
O gosto por azeitonas, vinho, bacalhau.
Cuscuz, caldo verde, lentilha,
Fios de ouro, papo de anjo,
Queijadinhas, alfenins e pão de Ló.
Minha alma?
Minha alma é Lusa,
minha alma é Brasileira.
Minha alma é Luso – Brasileira.
n.n.a
Maria Lisboa
Maria Lisboa
Mariza
É varina, usa chinela,
Tem movimentos de gata
Na canastra, a caravela,
No coração, a fragata
Na canastra, a caravela,
No coração, a fragata
Em vez de corvos no xaile
Gaivotas vêm pousar
Quando o vento a leva ao baile,
Baila no baile com o mar
Quando o vento a leva ao baile
Baila no baile com o mar
É de conchas o vestido
Tem algas na cabeleira
E nas veias o latido
Do motor duma traineira
E nas veias o latido
Do motor duma traineira
Vende sonho e maresia,
Tempestades apregoa,
Seu nome próprio – Maria,
Seu apelido – Lisboa
Seu nome próprio – Maria
Seu apelido – Lisboa
Canções e Momentos – Milton Nascimento
Canções e Momentos
Milton Nascimento
Há canções e há momentos
Eu não sei como explicar
Em que a voz é um instrumento
Que eu não posso controlar
Ela vai ao infinito
Ela amarra todos nós
E é um só sentimento
Na platéia e na voz
Há canções e há momentos
Em que a voz vem da raiz
Eu não sei se quando triste
Ou se quando sou feliz
Eu só sei que há momentos
Que se casa com canção
De fazer tal casamento
Vive a minha profissão
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