Mari Suoheimo Nascimento

A COR.
CADÊ A COR?
ESTÁ NA NEVE ASSIM COMO NA AREIA.
ESTÁ NOS OLHOS.
DE QUEM VÊ
DE QUEM É VISTO.
A DOR.
ESTÁ NA NEVE ASSIM COMO ESTÁ NA AREIA.
O OLHAR ATRAVESSA OCEANO
A ALMA É ATRAVESSADA PELOS OLHOS.
E NASCE O ENCONTRO.

NASCEM AS FOTOS DE MARI.
CADÊ MARI?
ESTÁ NA NEVE ASSIM COMO NA AREIA.

UM CONVITE AS FOTOS DE MARI.
UM CONVITE.
PRA NEVE.PRA AREIA.

ROBERTO PITELLA
Foto:Mari Suoheimo Nascimento

Lay Down (Candles in the Rain)

Tenho um cd bem antigo do pastor Edwin Hawkins,comprado em um sebo. Está música é uma das faixas que mais gosto. Lindo de ouvir.

Paulo Freire

DIÁLOGO
Paulo Freire

Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão.

Se não amo o mundo, se não amo a vida, se não amo os homens, não me é possível o diálogo.

O diálogo, como encontro dos homens para a tarefa comum de saber agir, se rompe , se seus pólos ( ou um deles ) perdem a humildade.

Como posso dialogar, se alieno a ignorância, isto é, se a vejo sempre no outro, nunca em mim ?

Como posso dialogar, se me admito como um homem diferente, virtuoso por herança, diante dos outros, meros “isto”, em que não reconheço outros eu?

Como posso dialogar, se me sinto participante de um “gueto” de homens puros, donos da verdade e do saber, para quem todos os que estão fora são “essa gente”, ou são “nativos inferiores”?

Como posso dialogar, se parto de que a pronúncia do mundo é tarefa de homens seletos e que a presença das massas na história é sinal de sua deterioração que devo evitar?

Como posso dialogar, se me fecho à contribuição dos outros, que jamais reconheço, e até me sinto ofendido com ela?

Como posso dialogar se temo a superação e se, só em pensar nela, sofro e definho?

A auto-suficiência é incompatível com o diálogo. Os homens que não tem humildade ou a perdem, não podem aproximar-se do povo. Não podem ser seus companheiros de pronúncia do mundo. Se alguém não é capaz de sentir-se e saber-se tão homem quanto os outros, é que lhe falta ainda muito que caminhar, para chegar ao lugar de encontro com eles . Neste lugar de encontro , não há ignorantes absolutos, nem sábios absolutos: há homens que, em comunhão, buscam saber mais.

Não há também, diálogo, se não há uma intensa fé nos homens. Fé no seu poder de fazer e de refazer. De criar e recriar. Fé na sua vocação de ser mais, que não é privilégio de alguns eleitos, mas direitos dos homens.

A fé nos homens é um dado a priori do diálogo. Por isto, existe antes mesmo de que ele se instale. O homem dialógico tem fé nos homens antes de encontrar-se frente a frente com eles. Esta, contudo, não é uma ingênua fé. O homem dialógico, que é crítico, sabe que, se o poder de fazer, de criar, de transformar, é um poder dos homens, sabe também que podem eles, em situação concreta, alienados, Ter este poder prejudicado. Esta possibilidade, porém, em lugar de matar no homem dialógico a sua fé nos homens, aparece a ele, pelo contrário, como um desafio ao qual tem de responder. Está convencido de que este poder de fazer e transformar, mesmo que negado em situações concretas, tende a renascer. Pode renascer. Pode constituir-se. Não gratuitamente, mas na e pela luta por sua libertação. Com a instalação do trabalho não mais escravo, mas livre, que dá a alegria de viver.

Sem esta fé nos homens, o diálogo é uma farsa. Transforma-se, na melhor das hipóteses, em manipulação adocicadamente paternalista.

Ao fundar-se no amor, na humildade, na fé nos homens, o diálogo se faz uma realização horizontal , em que a confiança de um pólo no outro é conseqüência óbvia. Seria uma contradição se, amoroso, humilde e cheio de fé, o diálogo não provocasse este clima de confiança entre seus sujeitos. Por isto inexiste esta confiança na antidialogicidade da concepção “bancária” da educação.

Se a fé nos homens é um dado a priori do diálogo, a confiança se instaura com ele. A confiança vai fazendo os sujeitos dialógicos cada vez mais companheiros na pronúncia do mundo. Se falha esta confiança, é que falharam as condições discutidas anteriormente. Um falso amor, uma falsa humildade, um debilitada fé nos homens não podem gerar confiança. A confiança implica no testemunho que um sujeito dá aos outros de suas reais e concretas intenções. Não pode existir, se a palavra, descaracterizada, não coincide com os atos. Dizer uma coisa e fazer outra, não levando a palavra a sério, não pode ser estímulo à confiança.

Não é porém, a esperança um cruzar de braços e esperar. Movo-me na esperança enquanto luto e, se luto com esperança, espero.

Se o diálogo é o encontro dos homens para ser mais, não pode desfazer-se na desesperança. Se os sujeitos do diálogo nada esperam do seu que fazer, já não pode haver diálogo. O seu encontro é vazio e estéril. É burocrático e fastidioso.

Flamboyant


Flamboyant

Nomes com cheiro de flores.
Rosa, Rose, Íris, Lis, Amarílis, .

Nomes com o verde das árvores.
Azambuja, Acácia, Anajá, Araucária.

Nomes de sementes dos campos do cerrado.
Buriti, Jatobá, Leocema, Lágrima.

Nomes com pedras preciosas.
Ametista, Esmeralda, Jade, Berilo.

Nomes com o brilho das estrelas.
Zeta, Vega, Beta, Electra.

Nomes com a força dos furacões.
Dean, Katrina, Odessa, Emily.

Nomes com a brisa do mar.
Adriático, Delfim, Egeu, Jônico.

Nomes de praias.
Joaquina, Bertioga, Ubatuba, Ipanema.

Nomes de doces.
Ambrósia, Alfenim, Madalenas, Carolinas.

Nomes tão gentis.
Amábile, Amanda, Anabela, Mirabela.

Nomes que enchem a boca.
Flamboyant, Borboleta, Turmalina.

Nomes celestiais.
Angel, Celeste, Júpiter, Vênus.

Nomes carregados de morte.
Anúbis, Hades, Gólgota.

Nomes carregados de vida.
Vital,Vitalina, Natal, Natalina.

Nomes santos, santos nomes
Javé, Elohim, Emanuel, Jesus.



Celso Borges



aqui e ali há hálito no vento
verbo rimas na carne do tempo
a r brisa voz
dentro



celso borges


Bolinhas musicais completo

http://youtube.com/v/qzaOQBtOvSA

Essas bolinhas impulsionadas pelo ar
em perfeito sincronismo, levando em
conta distancia de partida e chegada
resistencia do ar, gravidade,e o marco
da engenharia aeroespacial da fisica

La bonté et la fidélite

La bonté et la fidélité se rencontrent,
La justice et la paix s`embrassent; Salmo 85:1



A Justiça e a Paz se beijaram…

Justa Justiça.
Senhora severa,
dona absoluta
das leis e regras,
do bom convívio.
Detentora da última palavra,
do juízo final.
Por ela clamam
os esfarrapados,
as viúvas,
os órfãos,
os pobres,
os injustiçados,
os perdedores.
Santa Justiça
Onde estarás….
Neste mundo injusto
Onde muitos acreditam
que a corrupção
vale a pena.
Onde para alimentar
os luxos de uma minoria
a maioria passa opressão e dor.
Santa justiça divina.
Santo juiz .
Justo juiz
Detentor de todas
as verdades e
de todo o amor.
Que não vês e não julgas
como vêem e julgam
os homens e as mulheres.
Dono da Justa Justiça.
Deus Justo e Salvador.
Cuja essência é o amor.
Amor que cobre todas
as transgressões.
Amor purificador.
Amor justificador.
Amor Santo.
Santa Justiça abrace a paz.
Precisamos tanto desta paz.
Paz conciliadora,
Paz pacificadora,
entre as nações,
entre os irmãos,
entre os inimigos
e entre amigos.
Paz tão desejada,
tão aclamada
tão buscada.
Que só pode ser encontrada
No Justo juiz e no Príncipe da Paz

Santo Deus Justo que abraças o Príncipe da Paz
e reconcilias assim toda humanidade
neste amor Eterno.

“A benignidade e a fidelidade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram.
A fidelidade brota da terra, e a justiça olha desde o céu.
O Senhor dará o que é bom,e a nossa terra produzirá o seu fruto.
A justiça irá adiante dele, marcando o caminhocom as suas pegadas.

N.N.A. 02-08-2007

Lava Pés

Lava Pés 

Artelhos, falanges na extremidade distal do corpo.
Um punhado de ossos cobertos por tendões, músculos e pele.
Pés nus, descalços e calçados.
Pés que mostram a qualidade de vida que se tem.

Pés sofridos, machucados, calejados,
pés empoeirados, cansados e perfurados.
Pés formosos, santos e benditos.
Pés cuidados, poupados e preservados.

Pés usados como mãos: ágeis e precisos.
Pés que foram amputados e não são mais.
Pés que são próteses, pés que foram reconstruídos.
Pés que caminham por outros pés.

Pés que já foram onde deviam e onde não deviam.
Pés que tomaram posse da terra, pés de guerreiros.
Pés que viajaram pra bem longe, fugindo das suas dores.
Pés cansados, acomodados em chinelos velhos.

Pés de trabalhadores, marcados pelo sol e pelo solo.
Pés de atletas, fortes, resistentes e persistentes.
Pés de bailarina, que desafiam o tempo e o espaço.
Pés aventureiros, que não têm sossego.

Pés na areia, pés no rio,
pés na neve, pés no frio,
pés no esgoto, pés na lama,
pés nas pedras, pés na grama.

Pés que precisam de descanso.
Pés que precisam de força.
Pés que precisam de ajuda.
Pés que precisam ser lavados.

Mas, quem lavará estes pés?
Quem fechará as feridas abertas?
Quem irá se humilhar por amor?
Quem irá servir a pecadores?

Um par de pés divinos,
um dia na terra andou,
O Santo de Deus, o verbo de Deus,
fez-se homem e entre nós habitou.

Lavou os pés de toda a humanidade,
tirou a lama e o pó deixados pelas ilusões deste mundo.
Com um único gesto ensinou que devemos lavar os pés uns dos outros.
Pois aquele que lava os pés é abençoado
e aquele a quem seus pés são lavados também.

“Lave os meus pés Jesus, permita-me lavar os Teus pés e ensina-me a lavar os pés do meu próximo”.

N.N.A
20/02/2008







KEVIN PROSCH Harp In My Heart [by ico]

http://youtube.com/v/6_41guaiBjs

Harp In My Heart
As canções do Kevin Prosch são muito especiais para mim, falam profundo ao coração.

Coração

Coração

Músculo cardíaco
Pulsante
Músculo cardíaco
Involuntário
Músculo cardíaco
De pedra
Músculo cardíaco
De sangue
Músculo cardíaco
Enigmático
Músculo cardíaco
Suplicante
Músculo cardíaco
Faminto
Músculo cardíaco
De cera derretida
Músculo cardíaco
Habitação das emoções
Músculo cardíaco
Banhado em lágrimas.
Músculo cardíaco
Saindo pela boca
Músculo cardíaco
Entupido
Músculo cardíaco
Quebrantado
Músculo cardíaco
Contrito
Moído .


“Ao coração quebrantado e contrito Tu não desprezarás oh, Deus”.


“Vísceras abertas”

Abriram minhas vísceras.
E o que encontraram?
carne, sangue,
sangue, carne,
uma mistura de
vermelho-encarnado,
verde-ácido,
cinza chumbo,
um odor peculiar,
repugnante,
estonteante,
mais do que isto….
dentro desta órbita aberta,
órgãos inchados,
humores instáveis,
dores do passado,
úlceras sangrando,
infecção generalizada,
preconceitos velados,
um liquido verde-musgo,
misturado com sangue vivo,
esparramado por todas as vísceras.
“Olhar para as próprias vísceras”,
é ver o que não se quer ver,
é sentir o que não se quer sentir,
é provar o gosto da morte,
é sentir o cheiro da cova.
“Olhar para as próprias vísceras”,
é encarar as fraquezas,
os erros, o egoísmo,
a fragilidade humana,
é reconhecer a incapacidade
de mudar sozinho,
é olhar para as incoerências e faltas
cometidas contra si mesmo
e contra o próximo.
“Olhar para vísceras”,
é ver a derrota, o fracasso,
é olhar sem lentes,
para o holocausto,
para Hiroshima e Nagasaki,
é olhar para os corpos carbonizados,
desintegrados,
de 11 de setembro,
para os massacres do mundo
pós-moderno,
é olhar a impunidade de
crimes de guerra,
é olhar os corpos desaparecidos
de presos políticos,
é olhar a dor de mães que
perdem seus filhos em campos
de batalhas.
É olhar o sangue inocente derramado
nas ruas, nas favelas,
é olhar crianças famintas do
Haiti, que enchem o estômago com bolotas de argila e água.
É ver os mutilados da África.
É enxergar que potências
mundiais financiam guerras,
armas e vícios.
É sentir as dores ou pelo menos
tentar sentir
dos miseráveis,
dos desempregados,
dos oprimidos,
dos doentes,
dos assalariados,
das minorias,
“Olhar as próprias vísceras”,
é viver a incapacidade de ser
o que outros desejam
que sejamos
É reconhecer que neste mundo,
não há lugares seguros e estáveis,
que o paraíso fechou as portas,
é ver que neste mundo
ter é mais do que ser,
é encarar que músicos e poetas
enterram seus talentos
mesmo antes deles terem nascido,
Mas, sobretudo é
assumir que este olhar,
pode nos levar,
a um grito desesperado,
que este olhar pode despertar em
nós um sentir, um olhar,
um amar, não fingido.
Obviamente,
existirão aqueles
que irão preferir comer
suas próprias vísceras,
antropófagos,
que se fortalecem
ou se iludem silenciando sua dor,
comendo suas vísceras
em um prato frio.
Prefiro pensar que ao olhá-las,
investigá-las,
manipulá-las,
tocá-las,
limpá-las
isto poderá nos trazer compaixão.
Uma tomada de atitude
que possa nos beneficiar
e beneficiar a muitos,
a ter sensibilidade
com nossas dores
e com as dores do próximo,
trazendo cura,
desenvolvendo a tolerância
e a aprendizagem
de uma forma responsável e ética
de ser e estar no mundo.

N.N.A 25/09/2007

E lhes darei um só coração, e porei dentro deles um novo espírito; e tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne,
Ez 19:11

Oliver Sacks – Musicophilia –

http://youtube.com/v/tPRW0wZ9NOM

Estou lendo o livro “Alucinações Musicais” do célebre neurologista Oliver Sacks.
Em histórias que misturam música, neurociência e curiosos personagens, Sacks relata uma série de experiências humanas dramáticas e surpreendentes, exibindo todo o seu fascínio pela criatividade da mente ao lidar com suas próprias afecções.

A música é uma das experiências humanas mais assombrosas e inesquecíveis, e o novo livro do neurologista e escritor Oliver Sacks, Alucinações musicais, nos faz entender por quê.
O que se passa com o cérebro humano ao fazer ou ouvir música? Onde exatamente reside o enorme poder, muitas vezes indomável, que a música exerce sobre nós? Essas são algumas das questões que Oliver Sacks explora, em seu estilo cativante, nesta admirável coletânea de casos, mostrando, por exemplo, como a música pode nos induzir a estados emocionais que de outra maneira seriam ignorados por nossa mente, ou ainda evocar memórias supostamente perdidas nos meandros do cérebro.

O estudo de casos surpreendentes de pessoas com distúrbios neurológicos ou perceptivos ligados à música reitera a crença de Sacks em uma medicina que humaniza o paciente e tenta, junto com a abordagem clínica, integrar as dimensões psicológica, moral e espiritual tanto das afecções quanto de seu tratamento.

Vale a pena ler o livro todo.

Noemi

Lírio dos Vales

Lírio dos Vales

Lírio, Lilium, Liliaceae
Lírio da chuva, Amabile e Candidum
Lírio do Amazonas
Lírio das florestas gélidas da Finlândia
Da beira das estradas
Dos jardins da realeza
Dos campos de todo mundo
Lírios dos túmulos, com cheiro de saudades
Lírios dos noivos, brancos e cândidos
Lírios laranjas, amarelos e lilases
Lírios aromáticos com seu perfume inebriante
Cheiro forte e delicado
Lírio plantado por Deus
Feito de carne e osso
Lírio perfeito, divino
Lírio que nasceu
Em solo árido, pedregoso
Em terra seca , em um vale
Lírio cheio de vida e formosura
Cura para corações doentes
Corações de pedra, cansados pelo pecado
Lírio dos vales
Mais formoso entre os milhares
Jesus

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