“Vísceras abertas”

Abriram minhas vísceras.
E o que encontraram?
carne, sangue,
sangue, carne,
uma mistura de
vermelho-encarnado,
verde-ácido,
cinza chumbo,
um odor peculiar,
repugnante,
estonteante,
mais do que isto….
dentro desta órbita aberta,
órgãos inchados,
humores instáveis,
dores do passado,
úlceras sangrando,
infecção generalizada,
preconceitos velados,
um liquido verde-musgo,
misturado com sangue vivo,
esparramado por todas as vísceras.
“Olhar para as próprias vísceras”,
é ver o que não se quer ver,
é sentir o que não se quer sentir,
é provar o gosto da morte,
é sentir o cheiro da cova.
“Olhar para as próprias vísceras”,
é encarar as fraquezas,
os erros, o egoísmo,
a fragilidade humana,
é reconhecer a incapacidade
de mudar sozinho,
é olhar para as incoerências e faltas
cometidas contra si mesmo
e contra o próximo.
“Olhar para vísceras”,
é ver a derrota, o fracasso,
é olhar sem lentes,
para o holocausto,
para Hiroshima e Nagasaki,
é olhar para os corpos carbonizados,
desintegrados,
de 11 de setembro,
para os massacres do mundo
pós-moderno,
é olhar a impunidade de
crimes de guerra,
é olhar os corpos desaparecidos
de presos políticos,
é olhar a dor de mães que
perdem seus filhos em campos
de batalhas.
É olhar o sangue inocente derramado
nas ruas, nas favelas,
é olhar crianças famintas do
Haiti, que enchem o estômago com bolotas de argila e água.
É ver os mutilados da África.
É enxergar que potências
mundiais financiam guerras,
armas e vícios.
É sentir as dores ou pelo menos
tentar sentir
dos miseráveis,
dos desempregados,
dos oprimidos,
dos doentes,
dos assalariados,
das minorias,
“Olhar as próprias vísceras”,
é viver a incapacidade de ser
o que outros desejam
que sejamos
É reconhecer que neste mundo,
não há lugares seguros e estáveis,
que o paraíso fechou as portas,
é ver que neste mundo
ter é mais do que ser,
é encarar que músicos e poetas
enterram seus talentos
mesmo antes deles terem nascido,
Mas, sobretudo é
assumir que este olhar,
pode nos levar,
a um grito desesperado,
que este olhar pode despertar em
nós um sentir, um olhar,
um amar, não fingido.
Obviamente,
existirão aqueles
que irão preferir comer
suas próprias vísceras,
antropófagos,
que se fortalecem
ou se iludem silenciando sua dor,
comendo suas vísceras
em um prato frio.
Prefiro pensar que ao olhá-las,
investigá-las,
manipulá-las,
tocá-las,
limpá-las
isto poderá nos trazer compaixão.
Uma tomada de atitude
que possa nos beneficiar
e beneficiar a muitos,
a ter sensibilidade
com nossas dores
e com as dores do próximo,
trazendo cura,
desenvolvendo a tolerância
e a aprendizagem
de uma forma responsável e ética
de ser e estar no mundo.

N.N.A 25/09/2007

E lhes darei um só coração, e porei dentro deles um novo espírito; e tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne,
Ez 19:11

Don potter ,Susy Wills , Molly Wilians

http://youtube.com/v/bzYf__Vti2U

Tudo de bom !!!!!!!

Oliver Sacks – Musicophilia –

http://youtube.com/v/tPRW0wZ9NOM

Estou lendo o livro “Alucinações Musicais” do célebre neurologista Oliver Sacks.
Em histórias que misturam música, neurociência e curiosos personagens, Sacks relata uma série de experiências humanas dramáticas e surpreendentes, exibindo todo o seu fascínio pela criatividade da mente ao lidar com suas próprias afecções.

A música é uma das experiências humanas mais assombrosas e inesquecíveis, e o novo livro do neurologista e escritor Oliver Sacks, Alucinações musicais, nos faz entender por quê.
O que se passa com o cérebro humano ao fazer ou ouvir música? Onde exatamente reside o enorme poder, muitas vezes indomável, que a música exerce sobre nós? Essas são algumas das questões que Oliver Sacks explora, em seu estilo cativante, nesta admirável coletânea de casos, mostrando, por exemplo, como a música pode nos induzir a estados emocionais que de outra maneira seriam ignorados por nossa mente, ou ainda evocar memórias supostamente perdidas nos meandros do cérebro.

O estudo de casos surpreendentes de pessoas com distúrbios neurológicos ou perceptivos ligados à música reitera a crença de Sacks em uma medicina que humaniza o paciente e tenta, junto com a abordagem clínica, integrar as dimensões psicológica, moral e espiritual tanto das afecções quanto de seu tratamento.

Vale a pena ler o livro todo.

Noemi

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