Sem intérprete, aluno surdo abandona curso Superior

Notícia da Gazeta do Povo, no dia 19 de outubro de 2009.

Sem intérprete, aluno surdo abandona curso

Ao admitir estudante com deficiência auditiva, instituições de ensino devem contratar intérprete de Libras

Publicado em 19/10/2009 | POLLIANNA MILAN

Depois de frequentar, durante dois anos e meio, o curso de Tecnologia de Sistemas para Internet, o universitário Caio Lúcio Ferreira Cascaes, 28 anos, decidiu abandonar a graduação – ele é surdo e se comunica por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Caio encontrou dificuldades para ter permanentemente, em sala de aula, um intérprete de Libras – o profissional que traduz o conteúdo passado pelo professor. “Meu filho declarou no vestibular que era deficiente auditivo. Tivemos de entrar com duas ações judiciais para tentar garantir o direito de ele ter um intérprete”, conta o pai João Carlos Cascaes. A Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), onde Caio estudava, chegou a contratar o intérprete na primeira ação judicial movida pela família – mas o profissional desistiu. O estudante afirma que não entendia 90% do que os professores diziam e que só conseguiu permanecer durante tanto tempo no curso porque o pai comprava todos os livros sugeridos. “Sem o tradutor, foi impossível para ele conseguir estudar apenas com os livros. Meu filho en trou em crise no início deste ano e, em julho, decidiu não fazer a rematrícula”, explica o pai.

Na mesma época, depois da sentença judicial em razão da segunda ação impetrada por Caio, a UTFPR contratou oficialmente – pelos próximos dois anos – um intérprete de Libras. A decisão demorou por uma questão burocrática de contratação, segundo a instituição (veja mais nesta página). Apesar de Caio ter decidido não frequentar mais as aulas, a ação judicial proposta por ele poderá servir de precedente para outros alunos surdos.

O maior empecilho está justamente nas universidades públicas. No plano de cargos e salários das universidades federais e estaduais ainda não existe a carreira de tradutor e intérprete de Libras, por isso fica difícil fazer a contratação por meio de concurso público. “Por isso as instituições ainda esperam o aluno entrar para depois ver como vão resolver o problema”, explica a professora do curso de graduação de Letras e Libras da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Sueli Fernandes.O Decreto n.º 5.626 de 2005, que regulamenta a Lei Federal n.º 10.436 de 2002, diz que todas as instituições de ensino devem garantir, obrigatoriamente, às pessoas surdas o acesso (intérprete de Libras) a todas as modalidades de educação. “A lei de inclusão é de 1996. Em 2005 um decreto regulamentou o direito dos alunos. Mesmo assim, percebemos que as escolas ainda não estão preparadas para recebê-los”, afirma a presidente da Comissão de Inclusão da Universidade Tuiuti do Paraná, Ana Luíza Bender Moreira. A Tuiuti tem 47 universitários com necessidades especiais – a instituição começou a capacitar seus professores para a inclusão há pelo menos quatro anos. Outras universidades particulares consultadas pela reportagem também têm alunos com deficiência auditiva e todos contam com a ajuda de intérpretes.

Ela lembra que falta também uma maior organização por parte dos profissionais. “Eles precisam reivindicar uma legislação municipal que regulamente a profissão e crie o cargo nas instituições pú blicas, para que eles possam concorrer”, diz Sueli.

Show Eu, você, Maria…e Carlos Careqa





Fui agora a noite no show, MARAVILHOSO, sensível, divertido e poético.
Noemi

ORFF at Hockaday Variety

http://video.google.com/googleplayer.swf?docid=-934829847236024522&hl=en&fs=true

15 de outubro – Dia do Professor

Educador


gente com nome e sobrenome,
gente com uma história de vida,
gente de carne e osso,

gente com mente e coração abertos,
gente com mãos e pés no trabalho,
gente que é local e é global,
gente com suas alegrias e suas dores,
gente que forma e é formado,
gente curiosa, cheia de dúvidas,
gente de olhos e ouvidos abertos,

gente com fome e sede de aprender,
gente que planeja, pensa e repensa suas ações,

gente que constrói saberes,

gente comprometida com o educando,

gente que ensina e também aprende,
gente linda de se ver e de se ouvir.

No Paço da Liberdade, Curitiba, Pacote de Poesia

Noemi e Jeniffer
Rafael

André


Noemi, Bruno, André, Andy, Rafael e Manoela
Bruno


Noemi e André

Aonde a gente vai, papai? Jean-Louis Fournier

Depois de entrar no Camaro, Thomas, dez anos, repete, como sempre: “Aonde a gente vai, papai?

No início respondo: “Vamos para casa.”
Um minuto depois, com a mesma candura, ele faz de novo a mesma pergunta sem ênfase. No décimo “Aonde a gente vai, papai?”, não respondo mais…
Não sei mais muito bem aonde vamos, meu pobre Thomas.
Vamos por água abaixo. Vamos direto para o paredão.
Um filho deficiente, depois dois. Por que não três…
Eu não esperava por isso.
Aonde a gente vai, papai?
Vamos pegar a estrada, na contramão.
Vamos para o Alasca. Vamos acariciar os ursos. Vamos nos fazer devorar.
Vamos pegar cogumelos. Vamos colher Amanita phalloides para fazer uma boa omelete.
Vamos à piscina, vamos mergulhar do grande trampolim, em um tanque em que não há água.
Vamos para o mar. Vamos ao monte Saint Michel. Vamos passear na areia movediça [….]
Imperturbavél, Thomas continua: “Aonde a gente vai papai?” Talvez ele bata o próprio recorde. Depois da céntesima vez, a coisa fica realmente irresistível. Com ele, a gente não se entendia, Thomas é o rei do bordão.
FOURNIER, J.L. Aonde a gente vai papai? Rio de Janeiro: Intrínsica, 2009, p.8-9.
Li este livro hoje, maravilhoso, 158 páginas de surpresas, drama e bom humor…. esta é única coisa boa de se andar de ônibus.
Noemi
Noemi

Café no Paço da Liberdade – Pacote de Poesia

Convidamos a todos para participarem do Evento “Pacote de Poesia” promovido pelo SESC, no Paço da Liberdade na Praça Generoso Marquês, nesta sexta-feira às 18:30.

As poesias a serem declamadas são da poetisa HILDA HILST
As declamações também serão feitas em LIBRAS (língua brasileira de sinais)
Convidamos os surdos para participarem.

PALAVRANTIGA

Deus onde estás?

Letra e música: Marcos Oliveira de Almeida | Arranjos: Palavrantiga

Deus, onde estás?
Te procuro. Te procuraria na porta dessa rua.
Deus, onde estás?
Olha o que eu vejo agora:
o menino dançou sem roupa.
O menino botou na boca um doce
com gosto de fel.

Deus, onde estás?
A Igreja arrancou o sino,
o homem esqueceu o menino.
Fez castelo de ouro e prata e perdeu a vida.
Ah! Acende toda luz,
iluminando a Terra que convive com a dor,
sem esperança.

Vá onde há a dor, e cura!
Vá onde não há amor, e ama!
Vá onde há a dor, e alegra!
Vá onde não há amor, transforma!

Teu toque forte muda a sorte de quem Te encontra.

Deus, onde estás?
Te procuro.
Te procuraria no beco, nessa rua.

Deus, onde estás?
Olha o que eu vejo agora:
o menino dançou sem roupa.
O menino botou na boca um doce
com gosto de fel.

Deus, onde estás?
Eu passei por aquele palco.
Vi um grande homem fardado que gritava ao povo: “dinheiro!”, sem piedade.
Ah! O homem passou e se esqueceu da dor que sangra dentro do peito.
Dentro do peito.
Vá onde há a dor, e cura!
Vá onde não há amor, e ama!
Vá onde há a dor, e alegra!
Vá onde não há esperança!
Traz esperança!
Faz esperança!
Traz esperança!


SOUZA, Lúcio. Palavrantiga. Manaus: SMD, 2008, 1 CD, V.1, digital, estéreo

Poemas aos Homens do nosso tempo

(X)

Amada vida:

Que essa garra de ferro

Imensa

Que apunhala a palavra

Se afaste

Da boca dos poetas.

PÁSSARO-PALAVRA

LIVRE

VOLÚPIA DE SER ASA

NA MINHA BOCA.

Que essa garra de ferro

Imensa

Que me dilacera

Desapareça

Do ensolarado roteiro

Do poeta.

PÁSSARO-PALAVRA

LIVRE

VOLÚPIA DE SER ASA

NA MINHA BOCA.


(Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão, Ed. Globo, São Paulo, 2003)

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