Autopsicografia – Fernando Pessoa

Autopsicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que leem o que escreve
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.
Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho e passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está em pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê.
Fernando Pessoa.

Divulgando no blog escritablospot.com


http://escritablog.blogspot.com/2011/01/lancamentos_29.html


“Portas Abertas: Poética do Cotidiano” é o primeiro livro de poemas de Noemi N. Ansay, que, mestre em Educação, é professora da UEPR, da Faculdade de Artes do Paraná. Além dos poemas, a obra conta com fotos da designer e artista finlandesa Mari Suoheimo. E-mail da autora: noemiansay@gmail.com. Seu blog: noeminascimentoansay.blogspot.com .

29/01/2011

Sabres e Utopias – Mario Vargas Llosa

Ganhei no natal o livro Sabres e Utopias, visões da América Latina do peruano Mario Vargas Llosa, Prêmio Nobel de Literatura de 2010.
Estou impressionada com a objetividade, lucidez e critica dos seus artigos, além do seu forte engajamento politíco.
Reproduzo um pequeno trecho do livro que fala da nossa riqueza latino americana e nossos profundos paradoxos.
” A riqueza da América Latina está no fato de ela ser muitas coisas ao mesmo tempo, o que faz dela um microcosmo no qual coabitam quase todas as raças e culturas do mundo. Cinco séculos após a chegada dos europeus às suas praias, serras e matas, os latino-americanos de origem espanhola, portuguesa, italiana, alemã, chinesa ou japonesa são tão oriundos do continente como os que têm seus ascendentes nos antigos astecas, toltecas, maias, quéchuas, aimarás ou caribes. E as marcas deixadas pelos africanos no continente, onde também estão há cinco séculos, estão presentes por todos os lados : nos tipos humanos, na fala, na música, na comida e até em certas formas de prática religiosa. Não é exagero dizer que não existe tradição, cultura, língua e raça que não tenha acrescentado alguma coisa a esse efervescente redemoinho de misturas e uniões que se realizam em todos os aspectos da vida na América Latina. Esse amálgama é o seu maior patrimônio: ser um continente que carece de identidade justamente porque contém todas elas. E porque continua a se transformar todos os dias.”
LLOSA, MARIO VARGAS. Sabres e Utopias. Rio de Janeiro: Ed. Objetiva, p.317, 2010.

Lançamento do Livro Portas Abertas: poética do cotidiano na C.C.Abba

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Canções Preferidas Liberam Dopamina no Cérebro

Notícia do Estadão de 21 de janeiro de 2011.

Sendo os Beatles ou Beethoven, as pessoas gostam de música pelo mesmo motivo que elas gostam de comer, fazer sexo ou usar algumas drogas ilícitas: ouvir sua música preferida faz com que o cérebro libere uma substância química, a dopamina, responsável pela sensação de prazer, revela um novo estudo.

A substância está envolvida tanto em antecipar um momento particularmente tocante de uma música quanto em sentir sua emoção, descobriram os pesquisadores.

O trabalho mapeou o cérebro de oito voluntários enquanto eles ouviam algumas canções, para confirmar a relação da dopamina com o prazer da música, que já havia sido sugerido em um estudo anterior. A pesquisa foi apresentada na versão online da revista Nature Neuroscience. O estudo usou apenas música instrumental, mostrando que vozes não são necessárias para produzir resposta de dopamina.

Os voluntários foram escolhidos pois afirmaram sentir arrepios nas partes mais emocionantes de suas músicas preferidas. Apesar disso, o estudo mostra que as pessoas que não sentem arrepios também experimentam uma resposta de dopamina.

Trabalhos recentes mostraram que a música não é a única experiência cultural que afeta o sistema de recompensas do cérebro. Outros pesquisadores descobriram recentemente que outras artes podem ter o mesmo efeito.

Armando Romero Accinelli


Armando Romero Accinelli



Ainda o vejo ali, sempre na mesma esquina da praça,

alto, elegante, atlético aos setenta e dois anos.

Treinador de campeões, peruano “com todo orgulho”,

engenheiro civil, amante da matemática e logarítmos,

sempre soube conciliar estudos e atividade desportiva.



No Peru foi campeão de dezesseis recordes nacionais:

Martelo, corridas de 1.500m, 3.000m, 5.000m, 10.000 m

além de outros títulos nacionais e internacionais

Nos anos oitenta foi laureado com título

de “Gran Atleta” da América Latina.



Nos idos dos anos noventa vem morar no Brasil

onde encontra oportunidades e a falta delas.

Treinou mais de cinquenta atletas de sol a sol,

de segunda a sábado, sem descanso, sem trégua.



Na esquina da praça, com o cronômetro e papel à mão

assoviava para os atletas que o ouviam e reconheciam sua voz.

Atento, preciso, incentivador nato, de uma inteligência rara,

e um grande coração, sofria o abandono de quem mais amava.



Suas dores profundas o faziam desconfiar de tudo e de todos,

não podia acreditar que existia bondade no mundo,

que seria possível ser feliz novamente,

que haveria redenção para a raça humana.



Em meio às dores do corpo e da alma,

seus olhos escureceram,

cego, guiava-se por seus extintos apurados

por sua coragem viril e pela força do seu espírito atlético.



Abandonado, não lhe restaram muitas opções,

já não podia ir a praça, cumprir seu oficio,

não podia mais levantar seus longos braços e assoviar,

incentivando os atletas nos últimos 100 metros da pista.



Sinto saudades de vê-lo ali

naquela esquina da Praça Oswaldo Cruz

palco onde o Professor Armando Romero Accinelli

era um Príncipe e Rei absoluto.



Noemi N. Ansay

O treinador Armando Romero Accinelli treinou a Nicolle de 2006 a 2010, na Praça Oswaldo Cruz no Centro de Curitiba.

PEI em Curitiba

Mediadores: David Sasson e Marcia Macionk

Curso do PEI ( Programa de Enriquecimento Instrumental) uma experiência mediada maravilhosa, 70 horas em 8 dias.


PEI – Programa de Enriquecimento Instrumental de Feuerstein

Estou fazendo a formação do PEI, sonho antigo realizando-se.


LOGOTIPO DO CDCP - CENTRO DE DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DO PARANÁ- PEI - PROGRAMA DE ENRIQUECIMENTO INSTRUMENTAL DE FEUERSTEIN, MODIFICABILIDADE, MEDIAÇÃO DA APRENDIZAGEM, AVALIAÇÃO DINÂMICA E GESTÃO MEDIADAN



Prof Reuven Feuerstein

PEI – Programa de Enriquecimento Instrumental do Prof. Reuven Feuerstein.


Lendo Elie Wiesel na praia….


Estamos há quatro dias na praia, em SC, Enseada em SFS.
Fez muito sol todos os dias e aproveitamos muito.
Férias, merecidas férias depois de um ano muito intenso.
Terminei de ler o livro “Tempo dos Desraizados” de Elie Wiezel.

Gamliel refletiu antes de responder. Continuar o quê ?A falar por meio do silêncio, a amar por medo da solidão, do isolamento e da morte, a cair e depois levantar-se de novo ? A bater nas portas que se abrem cedo demais ou tarde demais ? Era isto a vida ? Uma forma de continuar a caminhar, a seguir por um caminho longo e difícil, e a servir de guia para aquele que caminha atrás de nós ?

– Correção – respondeu Gamliel. – “Continuar” não é a palavra. Acho que há uma outra.

– Você a descobriu?

– Sim.

– Qual é ?

– “Recomeçar”.

UEPR Universidade Estadual do Paraná

Inauguração da UEPR muda gestão de sete faculdades do Paraná

A sede da Universidade Estadual do Paraná (UEPR) será inaugurada hoje em Curitiba. Nova instituição gerenciará a distribuição de recursos para sete faculdades estaduais que serão agregadas.

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