O barquinho (Ronaldo Boscoli) por Maysa

O barquinho

Dia de luz, festa de sol
e um barquinho a deslizar
No macio azul do mar.
Tudo é verão e o amor se faz
Num barquinho pelo mar que desliza sem parar
Sem intenção, nossa canção
vai saindo desse mar e o sol
Beija o barco e luz… Dias tão azuis…
Volta do mar, desmaia o sol,
E o barquinho a deslizar,
É a vontade de cantar…
Céu tão azul, ilhas do sul,
E o barquinho é o coração deslizando na canção
Tudo isso é paz, tudo isso traz
Uma calma de verão, e então
O barquinho vai, e a tardinha cai
Volta do mar, desmaia o sol,
E o barquinho a deslizar,
É a vontade de cantar…
Céu tão azul, ilhas do sul,
E o barquinho é o coração deslizando na canção
Tudo isso é paz, tudo isso traz
Uma calma de verão, e então
O barquinho vai, e a tardinha cai
O barquinho vai, e a tardinha cai
O barquinho vai, e a tardinha cai

Na Trama do Poema






A Trama do Poema


Grávida de um poema
a  vida pulsa no ventre sobressalente
palavra que sobeja, arfa, soluça, chora,
imersa no mar infinito da gramática.

Tamanha sede de viver,
o poema  nasce nu e cru,
neonato indefeso  e frágil
desamparado  em um mundo letrado.

O que poderá dizer ao mundo?
O indizível?  O bizarro?
O sagrado?  O pérfido?
O amorfo? O incompreensível?

Poderá expressar…
as regiões quietas e insondáveis do ser?
o cheiro de uma flor orvalhada?
o  gosto de fruta tirada do pé?

O poema nasce do excesso da luz e da sombra,
da névoa branca semitransparente,
do recôndito, do milagre, da inexatidão,


do âmago acre dialético da vida,
das querimônias e quérqueras
do quimo amargo, amassado no ventre.

Melífluo dos encontros improváveis
surpresas da existência fluida da vida
das intransigências intransponíveis do cotidiano.

No poema as palavras deslizam
como seixos no fundo de um rio,
correm para o mar quieto, insondável e infinito.

n.n.a.


Foto: casa do livro na Colômbia/Bogotá

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