Poema: O açougue

O Açougue

O dia escureceu rápido,
no açougue a luz estava acesa,
só o admirável açougueiro trabalhava,
tão gentil e habilidoso,
conhecedor da anatomia bovina,
não errava um corte,
suas mãos firmes e calejadas
separavam a capa de filé, o acém,
a paleta, o lagarto,
o filé mignon, o contrafilé.

Já o boi, o pobre boi,
morreu sem poder reclamar,
resignado,  teria que suportar tudo,
a dor da morte, da rejeição,
a mortificação dos órgãos,
o talho afiado do cutelo,
o peito aberto, o coração partido,
a sina era virar um montão de ossos.

Para o açougueiro são os “ossos do oficio”,
para o boi é o fim de tudo,
mundo mau, mundo mau,
onde homens e bois amordaçados,
seguem em silêncio,
rumo ao abatedouro.

n.n.a

Homenagem para Haroldo Dinho

No dia 24 de janeiro faleceu nosso querido amigo Haroldo Dinho com 33 anos, no RJ.
Durante muitos anos cantamos juntos no vocal da igreja. Gravamos muitas vezes no estúdio juntos, ele tinha um tenor afinadíssimo e era uma pessoa gentil, educada. Sentiremos saudades….

Foi cantar no Céu

Para Haroldo Dinho ( in memorian)

Este menino andava sempre de bem com vida,

incansável  na arte de ser gentil e educado,

vivia sorrindo, fazendo elogios, cantando e saltando,

feito um bezerrinho que sai da estrebaria.



Este menino,  fez de tudo um pouco na vida:

trabalhou  na igreja, fez pizzas, vendeu livros,

estudava música e cantava,  ah…como cantava,

seu tenor era de uma precisão e afinação  invejáveis.



Este menino mesmo na dor,

encontrou motivos para ser grato,

para cantar e louvar seu Criador,

não reclamava, só cantava.



Haroldinho partiu para o Eterno,

foi fazer o que mais gostava na vida.

No céu, junto com os anjos afinadíssimos,

uniu-se ao coro celestial,

onde cantará por toda eternidade. 


n.n.a

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