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O Açougue
O dia escureceu rápido,
no açougue a luz estava acesa,
só o admirável açougueiro trabalhava,
tão gentil e habilidoso,
conhecedor da anatomia bovina,
não errava um corte,
suas mãos firmes e calejadas
separavam a capa de filé, o acém,
a paleta, o lagarto,
o filé mignon, o contrafilé.
Já o boi, o pobre boi,
morreu sem poder reclamar,
morreu sem poder reclamar,
resignado, teria que suportar tudo,
a dor da morte, da rejeição,
a mortificação dos órgãos,
o talho afiado do cutelo,
o peito aberto, o coração partido,
o peito aberto, o coração partido,
a sina era virar um montão de ossos.
Para o açougueiro são os “ossos do oficio”,
para o boi é o fim de tudo,
mundo mau, mundo mau,
onde homens e bois amordaçados,
seguem em silêncio,
seguem em silêncio,
rumo ao abatedouro.
n.n.a

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