Poema: Pequena Borboleta

Pequena Borboleta
Frágil, seda viva inacabada,
vida contida no casulo,
feia, asquerosa, cinza, inacabada.
Não diga que tudo termina por aqui,
que o casulo é a sepultura,
que meu pranto, meu silêncio, minha veneração foram em vão.
Vi-te saindo lenta, miraculosa do teu invólucro,
tuas antenas, teus olhos castanhos,  teu corpo longilíneo,
 teu par de asas que abriu-se em um azul cobalto fosforescente.
Meus olhos te seguiram fascinada, embriagada,
deslizavas como uma pequena bailarina,
quis agarrar-te com minha mão.
Meus dedos tocaram tuas asas cintilantes,
queria deter-te, empalhar-te em um quadro
só para contemplar diariamente tua formosura.
Mas querias ir, precisavas ir…
criatura feita de transparências e silêncios,
translúcida, vertiginosa , diáfana pétala de vida.
Choro tua decisão,
choro ter pesado minha mão tosca em tua singeleza,
choro esta impotência de fazer algo.
Se ao menos ainda pudesse ver-te voar pelos campos floridos,
Engoliria o choro, enxugaria minhas lágrimas,
enfrentaria inquieta este desacerto de ser gente.
n.n.a.

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