Poema: Excessos

 

Foto: Heber N. Suoheimo

 

Excessos


Não peço desculpas
pelo excesso de ternura
e pelo desassossego do meu coração
 
alma barulhenta, valvular
trama de um artesão
complexa e manhosa
 
a estranheza dos dias presentes
a indefinição do lugar a ser ocupado no palco
as distâncias intergalácticas
 
a vocação para ser eterno
e  a finitude das possibilidades
quem poderá condenar tamanha sede de viver?
presente e dentro
tudo que está em volta
as presenças e ausências
 
a tristeza dos dias chuvosos
a desilusão  de mudar o mundo
a morte sempre a espreita
 
o atrevimento de viver
atravessando ventanias e tempestades
lançada no espaço despida e indefesa
 
pequena poeirinha
diante da imensidão do universo
viajante rumo ao Profundo e Eterno.

Noemi N. Ansay

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