Alucinações Musicais III



Alucinações Musicais III



Dentro de mim mora uma paisagem sonora:

o assovio do vento que toca um canavial,

uma voz com tons de azul e branco,

uma risada gostosa de criança.

Despedaço, derreto, me descortino

quando ouço o som de fusas, colcheias,

semínimas, mínimas e semibreves,

meu coração bate desamparado.

Vejo notações musicais,

pelas paredes, no teto,

nas janelas, no piso,

e às vezes tatuadas pelo corpo.

Absorta pela música,

alucino com os sons que nem mais posso ouvir.


n.n.a

Poema: Vende-se um país

Vende-se um país
 
– Tudo está à venda, (grita o neoliberal):
a educação,
a saúde,
as igrejas,
as praças,
as estradas,
as casas.
 
Vende-se também o direito:
de ir e vir,
de comer e beber,
de ser feliz
e até de amar.
 
Vende-se:
nossas tecnologias,
as florestas,
as águas,
os minérios.
 
 
Mas, caros senhores:
– Quem comprará as sobras da exploração?
– Quem comprará as fobias, desilusões e dores?
– Quem comprará nosso isolamento do mundo?
– Quem pagará com juros por nossa pobreza?
– Quem pagará pelo sangue derramado?
– Quem pagará pelo coração que congelou?
– Quem pagará pelos erros cometidos contra a humanidade?
 
(Noemi N. Ansay)

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