Poema: Vende-se um país

Vende-se um país
 
– Tudo está à venda, (grita o neoliberal):
a educação,
a saúde,
as igrejas,
as praças,
as estradas,
as casas.
 
Vende-se também o direito:
de ir e vir,
de comer e beber,
de ser feliz
e até de amar.
 
Vende-se:
nossas tecnologias,
as florestas,
as águas,
os minérios.
 
 
Mas, caros senhores:
– Quem comprará as sobras da exploração?
– Quem comprará as fobias, desilusões e dores?
– Quem comprará nosso isolamento do mundo?
– Quem pagará com juros por nossa pobreza?
– Quem pagará pelo sangue derramado?
– Quem pagará pelo coração que congelou?
– Quem pagará pelos erros cometidos contra a humanidade?
 
(Noemi N. Ansay)

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