Os poetas aguentam firme – Margaret Atwood

Os poetas aguentam firme

Os poetas aguentam firme.
É difícil livrar-se deles,
embora deus saiba que já se tentou.
Passamos por eles na estrada
de pé com suas tigelas mendicantes,
um hábito antigo.
Nada dentro delas agora
além de moscas secas e moedas falsas.
Eles olham reto em frente.
Estão mortos ou o quê?
Têm, contudo, a expressão irritante
dos que sabem mais do que nós.

Mais do quê?
O que é isso que alegam saber?
Desembuchem, falamos entre os dentes.
Digam de maneira direta!
Se você tenta obter uma resposta simples,
nesse momento eles se fingem loucos,
ou então bêbados, ou então pobres.
Vestiram suas fantasias
faz algum tempo,
esses suéteres pretos, esses andrajos;
agora não conseguem mais tirar.
E estão tendo problemas com os dentes.
Esse é um dos seus fardos.
Uma ida ao dentista não lhes faria mal.

Estão tendo problemas com as asas, também.
Não temos visto muita coisa de sua parte
no setor de voo, estes dias.
Não os vemos mais pairando nos ares, radiantes,
acabaram-se as travessuras aéreas.
Para o que diabos são pagos?
( Suponha que sejam pagos.)
Não conseguem sair do chão,
ele e suas penas enlameadas.
Se voam, é para baixo,
para dentro da terra úmida e cinzenta.

Vão embora, dizemos –
e levem sua aborrecida tristeza.
Não os queremos aqui.
Esqueceram-se de como bajular.
Já não são sábios.
Perderam seu esplendor.

Mas os poetas aguentam firme.
São tenazes, acima de tudo.
Não sabem cantar, não sabem voar.
Só dão pulos e grasnidos
e se debatem contra o ar
como se enjaulados,
e contam ocasionais piadas cansadas.
Quando lhes fazem perguntas a respeito, dizem
que falam o que devem.
Cristo, como são pretensiosos.

Há algo que sabem, porém.
Há algo que sabem, sim.
Algo que estão sussurrando,
algo que não podemos ouvir muito bem.
É sobre sexo?
É sobre poeira?
É sobre medo?

ATWOOD, M. A porta. Rio de Janeiro: Rocco, 2013.

Uma mulher pobre aprende a escrever – Margaret Atwood


Crédito: Foto: Rogério Capela

Uma mulher pobre aprende a escrever

Ela se agacha, descalça,
pés abertos, não é
graciosa; a saia metida entre os tornozelos.

Seu rosto é enrugado e rachado.
Parece velha,
velha demais.

Deve ter trinta anos.
Suas mãos também são enrugadas e rachadas
e desajeitadas. Seu cabelo está escondido.

Ela escreve com um graveto, laboriosamente,
na terra úmida e cinzenta,
franzindo a testa de ansiedade.

Letras imensas.
Pronto. Está terminado.
Sua primeira palavra até aqui.

Nunca pensou que pudesse fazer isso.
Não ela.
Isso era para os outros.

Levanta os olhos, sorri
como se estivesse pedindo desculpas,
mas não está. Não desta vez. Fez tudo certo.

O que diz a lama?
Seu nome. Não podemos lê-lo.
Mas podemos adivinhar. Olhe para o seu rosto:

Flor Alegre? Radiante? Sol sobre a Água?

ATWOOD, M. A porta. Rio de Janeiro: Rocco, 2013.

Salmo 121 – Elevo os meus olhos para os montes ….

1 Levantarei os meus olhos para os montes, de onde vem o meu socorro ?

2 O meu socorro vem do Senhor que fez o céu e a terra.

3 Não deixará vacilar o teu pé; aquele que te guarda não tosquenejará.

4 Eis que não tosquenejará nem dormirá o guarda de Israel.

5 O Senhor é quem te guarda; o Senhor é a tua sombra à tua direita.

6 O sol não te molestará de dia nem a lua de noite.

7 O Senhor te guardará de todo o mal; guardará a tua alma.

8 O Senhor guardará a tua entrada e a tua saída, desde agora e para sempre.

Poema: entrega e renúncia

entrega e renúncia
a entrega, exige renúncia,
a renúncia, exige entrega, 
quanto mais me entrego, 
mais renuncio,
e quanto mais renuncio
mais me entrego.
difícil é o caminho, 
estreito, apertado, 
dolorido tantas vezes.
entregar e renunciar, 
exercício de um amor exigente.
n.n.a

LEI Nº 13.146, DE 6 DE JULHO DE 2015.Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm

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