Vizcacha do Atacama

Perguntou o viajante desavisado:
– Por onde andavas pequena Vizcacha?
– A percorrer o deserto do Atacama.
– É possível viver aqui? Tudo parece tão seco e inóspito.
A Vizcacha toda faceira responde:
– Meu caro viajante, não sabes que a vida é teimosa, ela resiste, transborda, viceja por todos os cantos, buracos e brechas. A vida insiste em viver ! 

Noemi N. Ansay

Foto belíssima do amigo chileno Leo Albornoz no Deserto de Atacama

Aventuras na Ilha do Mel

http://www.editoraappris.com.br/…/Aventuras-na-Ilha-do-Mel#

AVENTURAS NA ILHA DO MEL 

Esta é a história de quatro abelhinhas que desbravam as belezas da Ilha do Mel, no estado do Paraná. A ilha exuberante é o cenário perfeito para o colorido poético dessa linda aventura. Silvia Andreis-Witkoski traduz, com suas ilustrações e texto, o esplendor do céu e da terra, a vegetação, as trilhas de areia, as praias, o Farol das Conchas, a tranquilidade e as origens peculiares do nome dessa ilha. O livro expressa o encantamento das abelhinhas no contato com a natureza e o valor do companheirismo e da amizade. Aventuras na Ilha do Mel é uma delícia: tem gosto de Mel, nutre a mente e o coração.
Noemi Nascimento Ansay

Minha amiga Silvia Andreis registrou uma viagem que fizemos a Ilha do Mel.
Belíssimo texto e ilustrações.

Feliz Aniversário !!!!!!!


Menino Sol

O vejo ali,
menino de cinco anos,
iluminado, sol, solis, solaris,
levado, mimado, cheio de vida,
criativo, musical desde que nasceu,
com sua bicicleta pedala pelos Campos do mundo.
Aos quinze anos, moço bonito,
gentil com todos,
generoso, sorridente,
sol do meio dia,
sua alma alargada,
não cabe dentro do peito.
Aos quarenta,
homem maduro,
cercado de livros e dicionários,
trabalhador, responsável,
ciente das dores e lutas da vida,
preserva no peito o coração de menino,
ousa ter fé, esperança e amor.

n.n.a

Novidade: Revista Brasileira de Musicoterapia nº 18

Minha mãe definha

Minha mãe definha, definha
e continua viva.
Seu coração forte a impulsiona
com a imprudência de um motor
uma noite após a outra.
Todos dizem: Isto não pode continuar
mas continua.
É como observar alguém se afogando.

Se ela fosse um barco, diríamos
que a lua brilha através das suas costelas
e ninguém maneja o leme,
mas não se pode dizer que esteja à deriva;
há alguém ali.
Seus olhos cegos iluminam-lhe o caminho.

Lá fora, em seu jardim abandonado,
o mato cresce de modo quase audível:
erva-moura, vara-de-ouro, cardo.
Todas as vezes que os arranco
uma nova onda começa a brotar,
subindo rumo a sua janela.
Demolem a parede de tijolos lentamente,

ocultam bordas e caminho.
borrando seus contornos.
Sua antiga ordem de palavras
desaba sobre si mesma.

Hoje, após semanas de silêncio,
ela compôs uma frase:
Acho que não.

Seguro sua mão, sussurro,
Olá, olá.
Se eu dissesse Adeus em vez disso,
se eu dissesse: Entregue-se,
o que ela faria?

Mas não posso dizê-lo.
Prometi que iria até o fim,,
o que quer que isso signifique.
O que posso dizer a ela?
Estou aqui,
Estou aqui.

ATWOOD, M. A porta. Rio de Janeiro: Rocco, 2013

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