Violeta Parra. "Se juntan dos palomitas". Violeta Parra.

Se juntan dos palomitas ( Violeta Parra)

(Palomito, yo te canto
en el más bello instrumento
que se abre en este momento
de dividir el encanto).

Se juntan dos palomitas
en el árbol del amor;
fin de la separación
que los tenía contritos.
Brillaba con sus rayitos
el sol en ese entretanto.
Los dos en un solo manto
se arrebozaron dichosos.
Dice un clarín misterioso:
«Palomito, yo te canto».

Como el clavel y la rosa
florecen en el jardín,
la dalia con el jazmín
y la azucena olorosa,
se encuentran las mariposas
de aquellos dos sentimientos
y anudan sus pensamientos
al son de una melodía.
Se dicen los buenos días
en el más bello instrumento.

Lo que en la ausencia fue pena
se convirtió en alegría;
así pasaron seguidas
horas de dicha serena.
Bendicen la luna llena,
señora del firmamento.
Dice una voz en el viento
en una lengua amorosa:
«¿Quién conservará la rosa
que se abre en este momento?»

Después de tanta dulzura
sonó la antigua campana
que anuncia alguna mañana
del adiós su cruel premura.

Como la fruta madura
al desprenderse del alto,
se desgarraron en llanto
los novios sin más demora,
porque ha llegado la hora
de dividir el encanto.

VI CLAM Congresso Latino Americano de Musicoterapia Brasil 2016

VI CLAM
Congresso Latino Americano de Musicoterapia

Vestibular para Bacharelado em Musicoterapia na FAP – UNESPAR

Vestibular na Faculdade de Artes do Paraná

Dias de Sol

Em dias de sol, 
derreto, 
espreguiço,  
escorrego, 
ilumino,
flutuo,
em teus campos 
verdes e iluminados.
A luz 
banha meu corpo, 
que sorri,
chora,
canta,
treme, 
suspira,
ama.
n.n.a

Vladimir Horowitz 1962 Chopin Piano Sonata No. 2 in B-flat minor

Há sentimentos tão profundos, becos, vielas, abismos, vales e montanhas que só a música erudita consegue expressar.

Recomendações para um dia de frio

Duas xícaras bem quentes de amizade,
meias de generosidade,
casacos de fraternidade,
doses exageradas de AMOR,
que não custa nada e nunca acaba.

n.n.a

O bêbado perfumado

O bêbado perfumado


É inverno em Curitiba,
as mãos e pés parecem congelar,
moradores de rua,
se viram como podem,
com cobertores e caixas de papelão.
João, não tem onde dormir,
desgarrado e maltrapilho,
perambula pelas ruas da cidade,
toma banho em um albergue
e uma sopa nos fundos da igreja.
João, sente frio na alma,
ferido, calejado,
não pede nada a ninguém,
vive em sua solidão
sem nenhuma pretensão de viver dias melhores.
Fugitivo e trêmulo entra no ônibus,
todos os olhares se voltam pra ele,
está em plena crise de abstinência,
tira um vidro de perfume da bolsa,
toma vários goles da bebida.

Os passageiros são tomados de assalto
com a fragrância de notas florais e etílicas,
o odor a princípio agradável 
torna-se aos poucos
repugnante.

Oh, José, e agora?
Será que estás embalsamando
teu corpo para morte?
De quem é culpa?
Sua? Minha?
NOSSA.

(Noemi N.Ansay)

Luis Sepúlveda

“E o meu irmão
sabe
muitas coisas.
Sabe, por exemplo,
que um grama de pólen
é como um grama de si mesmo,
docemente predestinado ao lodo germinal,
ao mistério daquilo que se erguerá vivo de ramos,
de frutos e de filhos, com a bela certeza das transformações,
do começo inevitável e do necessário final, porque o que é imutável
encerra o perigo do eterno, e só os deuses têm tempo para a eternidade.”

Luis Sepúlveda

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