Orquestra Sinfônica de Jerusalém em Curitiba

Com direção musical do maestro Frédéric Chaslin, a Orquestra Sinfônica de Jerusalém, uma das mais renomadas do mundo, estará em Curitiba para uma apresentação única no dia 1º de setembro, no Grande Auditório do Teatro Positivo.  Fundada em 1930, a maioria de seus concertos ocorrem em sua própria sede, o Auditório Henry Crown, e tem sido gravados e transmitidos para o público israelense.

Serviço: Orquestra Sinfônica de Jerusalém

Hotrário: às 21h

Local: Teatro Positivo – Grande Auditório – Rua Professos Pedro Viriato Parigot De Souza, 5300

Roubar a copa do beija-flor – Margaret Atwood

Outrora cobiçava o mundo,
Queria roubar coisas, 
querida roubar muitas coisas.
Nos anos recentes, pouquíssimas.

Mas hoje senti o impulso do furto
se esgueirando de volta aos meus dedos:
Queria roubar a taça do beija-flor.
Se você tivesse a mão grande

e tocasse o polegar no indicador,
essa seria a circunferência.
Se tivesse o olho pequeno,
o beija-flor seria menor.

A taça é de um vermelho escuro,
cor de sangue seco,
e tem uma pena pintada, ou talvez um vento,
ou talvez uma palavra.

O beija-flor é de um azul vivo.
Empoleira-se na borda
e mergulha o bico na taça
bebendo o que costumava haver ali.

Quem a fez?
Para quem foi feita?
Quem verteu o que dentro dela?
Com que prazer?

Se eu apenas pudesse roubar essa taça-
quebrar o estojo de vidro, fugir com ela!
Essa taça cheia de felicidade
que parece o ar
ou fôlego exaurido, ou sombras
num dia sem sol,
que não parece coisa alguma,
que parece o tempo,

que parece o que você quiser.

ATWOOD, M. A porta. Rio de Janeiro: Ricco, 2013.

Solidarity with Palestine’s Deaf Community

Musicians without Borders are using music to empower deaf people and build solidarity between the hearing and deaf communities of the West Bank, where around 5% of the population is deaf or hard of hearing.

Minha querida amiga palestina Halimeh Sarabtah Deaf aparece no vídeo

Maria


Maria 


Tentou esconder os cabelos brancos
as rugas e a pele flácida
atrás dos lábios vermelhos e do perfume barato
vendeu o corpo e a alma, por menos de 10 reais.

 Perdeu as contas de quantas vezes apanhou
 de quantas lágrimas chorou
 de quantas vezes desejou ser amada
 esqueceu seu nome e os da sua parentela. 


 Já vivia o inferno aqui mesmo na terra
 as mulheres cuspiam nela
 os homens usavam e abusavam
 nem conseguia mais contar suas feridas.


Esqueceu o que significava
amar a si, a Deus e ao próximo
entregou-se ao veneno
que a matava a cada picada.


Quando não havia mais esperança
foi arrastada como um cão
chegou a hora do fim
morreria ali mesmo, apedrejada.


Pelo canto dos olhos,
viu seus acusadores
e mais adiante o homem-Deus
que escrevia no chão.


Ele, sem hesitar, condenou a todos:
– O primeiro que não tiver pecado
jogue a primeira pedra,
todos silenciaram e saíram.


Escapara por um fio
ainda zonza, ouviu uma voz:
– Nem eu te condeno, vai e não peques mais.


Ela,  juntou seus cacos e seus trapos,
antes de seguir seu caminho
olhou o que Ele escrevia: 
M A R I A, siga em PAZ.

n.n.a 



Foto: Maria, uma viciada que trabalha como prostituta em Kryvyi Rig (Ucrânia), é protagonista da foto vencedora na categoria ”Contemporary Issues Singles”. A imagem foi tirada por Brent Stirton da África do Sul
http://www.reparei.com/?p=7948

Rotas do Coração

saatchionline.com

coração corado compartido
carente coração comovido
comportado conturbado coração
coração calejado caquético
caprichoso coração cauteloso
constrangido camuflado coração
coração calcificado contrariado
cataléptico coração catártico
cantante caloroso coração

n.n.a

“Ao coração quebrantado e contrito Tu não desprezarás oh, Deus”.


Curitiba/ Ipê Amarelo/ UFPR/ Poesia #curitiloverer

Ipê amarelo

Árvore cascuda,
de longe te avisto,
altaneira e frondosa,
exibe o luxuriante amarelo da vida,
forra o chão da praça em ouro,
tão lindo de se ver.

Meus olhos são atraídos
para a exuberância dos teus galhos,
para a madeira nobre do teu tronco,
para abundância de tuas florzinhas
que chovem como pó de ouro
encharcando de vida os olhos meus.

Noemi N. ANSAY


imagem: @reneevolpato

Missão Impossível 5 faz menção a Obra de Puccini – Turandot

O filme é ótimo, adrenalina do começo ao fim, além disso, fazem menção a obra de Puccini  a ópera Turandot, a trilha sonora é muito boa !

Vizcacha do Atacama

Perguntou o viajante desavisado:
– Por onde andavas pequena Vizcacha?
– A percorrer o deserto do Atacama.
– É possível viver aqui? Tudo parece tão seco e inóspito.
A Vizcacha toda faceira responde:
– Meu caro viajante, não sabes que a vida é teimosa, ela resiste, transborda, viceja por todos os cantos, buracos e brechas. A vida insiste em viver ! 

Noemi N. Ansay

Foto belíssima do amigo chileno Leo Albornoz no Deserto de Atacama

Aventuras na Ilha do Mel

http://www.editoraappris.com.br/…/Aventuras-na-Ilha-do-Mel#

AVENTURAS NA ILHA DO MEL 

Esta é a história de quatro abelhinhas que desbravam as belezas da Ilha do Mel, no estado do Paraná. A ilha exuberante é o cenário perfeito para o colorido poético dessa linda aventura. Silvia Andreis-Witkoski traduz, com suas ilustrações e texto, o esplendor do céu e da terra, a vegetação, as trilhas de areia, as praias, o Farol das Conchas, a tranquilidade e as origens peculiares do nome dessa ilha. O livro expressa o encantamento das abelhinhas no contato com a natureza e o valor do companheirismo e da amizade. Aventuras na Ilha do Mel é uma delícia: tem gosto de Mel, nutre a mente e o coração.
Noemi Nascimento Ansay

Minha amiga Silvia Andreis registrou uma viagem que fizemos a Ilha do Mel.
Belíssimo texto e ilustrações.

Feliz Aniversário !!!!!!!


Menino Sol

O vejo ali,
menino de cinco anos,
iluminado, sol, solis, solaris,
levado, mimado, cheio de vida,
criativo, musical desde que nasceu,
com sua bicicleta pedala pelos Campos do mundo.
Aos quinze anos, moço bonito,
gentil com todos,
generoso, sorridente,
sol do meio dia,
sua alma alargada,
não cabe dentro do peito.
Aos quarenta,
homem maduro,
cercado de livros e dicionários,
trabalhador, responsável,
ciente das dores e lutas da vida,
preserva no peito o coração de menino,
ousa ter fé, esperança e amor.

n.n.a

Novidade: Revista Brasileira de Musicoterapia nº 18

Minha mãe definha

Minha mãe definha, definha
e continua viva.
Seu coração forte a impulsiona
com a imprudência de um motor
uma noite após a outra.
Todos dizem: Isto não pode continuar
mas continua.
É como observar alguém se afogando.

Se ela fosse um barco, diríamos
que a lua brilha através das suas costelas
e ninguém maneja o leme,
mas não se pode dizer que esteja à deriva;
há alguém ali.
Seus olhos cegos iluminam-lhe o caminho.

Lá fora, em seu jardim abandonado,
o mato cresce de modo quase audível:
erva-moura, vara-de-ouro, cardo.
Todas as vezes que os arranco
uma nova onda começa a brotar,
subindo rumo a sua janela.
Demolem a parede de tijolos lentamente,

ocultam bordas e caminho.
borrando seus contornos.
Sua antiga ordem de palavras
desaba sobre si mesma.

Hoje, após semanas de silêncio,
ela compôs uma frase:
Acho que não.

Seguro sua mão, sussurro,
Olá, olá.
Se eu dissesse Adeus em vez disso,
se eu dissesse: Entregue-se,
o que ela faria?

Mas não posso dizê-lo.
Prometi que iria até o fim,,
o que quer que isso signifique.
O que posso dizer a ela?
Estou aqui,
Estou aqui.

ATWOOD, M. A porta. Rio de Janeiro: Rocco, 2013

Os poetas aguentam firme – Margaret Atwood

Os poetas aguentam firme

Os poetas aguentam firme.
É difícil livrar-se deles,
embora deus saiba que já se tentou.
Passamos por eles na estrada
de pé com suas tigelas mendicantes,
um hábito antigo.
Nada dentro delas agora
além de moscas secas e moedas falsas.
Eles olham reto em frente.
Estão mortos ou o quê?
Têm, contudo, a expressão irritante
dos que sabem mais do que nós.

Mais do quê?
O que é isso que alegam saber?
Desembuchem, falamos entre os dentes.
Digam de maneira direta!
Se você tenta obter uma resposta simples,
nesse momento eles se fingem loucos,
ou então bêbados, ou então pobres.
Vestiram suas fantasias
faz algum tempo,
esses suéteres pretos, esses andrajos;
agora não conseguem mais tirar.
E estão tendo problemas com os dentes.
Esse é um dos seus fardos.
Uma ida ao dentista não lhes faria mal.

Estão tendo problemas com as asas, também.
Não temos visto muita coisa de sua parte
no setor de voo, estes dias.
Não os vemos mais pairando nos ares, radiantes,
acabaram-se as travessuras aéreas.
Para o que diabos são pagos?
( Suponha que sejam pagos.)
Não conseguem sair do chão,
ele e suas penas enlameadas.
Se voam, é para baixo,
para dentro da terra úmida e cinzenta.

Vão embora, dizemos –
e levem sua aborrecida tristeza.
Não os queremos aqui.
Esqueceram-se de como bajular.
Já não são sábios.
Perderam seu esplendor.

Mas os poetas aguentam firme.
São tenazes, acima de tudo.
Não sabem cantar, não sabem voar.
Só dão pulos e grasnidos
e se debatem contra o ar
como se enjaulados,
e contam ocasionais piadas cansadas.
Quando lhes fazem perguntas a respeito, dizem
que falam o que devem.
Cristo, como são pretensiosos.

Há algo que sabem, porém.
Há algo que sabem, sim.
Algo que estão sussurrando,
algo que não podemos ouvir muito bem.
É sobre sexo?
É sobre poeira?
É sobre medo?

ATWOOD, M. A porta. Rio de Janeiro: Rocco, 2013.

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