Mesmo distante do Mar
Porque aquele dia foi o mais iluminado de todos os que já vivi, porque o vento tocava suavemente um canavial e refletia uma luz terna em meus olhos, porque até as ruínas daquela velha escola falavam no meio daquela estrada poeirenta. Porque havia em meu coração um pulsar destemido, uma coragem, pra além do meu costumeiro medo, porque as cicatrizes eram tão similares, que chegavam a se confundir, porque tudo que eu queria era ver o avesso e o profundo, porque desejei tanto dar e receber afeição. Talvez, porque ainda persista viver em mim, uma menina mimada, que nunca conseguiu lidar com perdas e suas consequências. Por isso, pisei descalça, me despi, me derramei, fiquei vulnerável, quase enlouqueci. Porque era preciso, porque era urgente, porque não poderia ser diferente, apesar de todas as evidências contrárias aquela sede de viver. Porque chuviscos são doces. Porque a música não precisa de explicações. Porque mesmo vivendo distante do mar, posso senti-lo todos os dias, sinto seu frescor em meus pés e sua profundidade por todo o meu ser. Porque a vida tem caminhos desconhecidos, às vezes pedregosos, às vezes floridos, às vezes temidos e às vezes tão amados. Porque viver é amar e amar é infinitamente mais desejável e nobre do que não amar.
noemi n.ansay
Anatomia do Rosto II (Liliane Bizineche)
Anatomia do Rosto II
Para Liliana Bizineche
Nada se escondia naquele rosto,
nem o inverno e nem o verão,
tudo era translúcido,
quase transparente.
Cada mínima emoção,
fluía como um rio de águas profundas,
que extravasava as margens,
encharcando todos da plateia ouvinte,
Todos viajavam em sua voz,
mezzo-soprano,
serena, doce, melodiosa
forte e determinada.
Chorei, sorri, salmodiei,
senti uma grande paz e alegria,
minha alma cantou com ela:
“They Say It’s Wonderful”.
Ah! Que irrecusável convite aquele rosto fazia:
– Viva, festeje, celebre a vida !
– Viva a plenitude de ser quem és !
– Viva para amar e ser amado !
Noemi N. Ansay
04/12/2016
Dona Chuva prazenteira
Dona Chuva prazenteira,
senhora de si,
beija terna e amavelmente,
a terra fértil e clemente.
Às vezes, esbraveja,
troveja do alto céu,
sem fazer cerimônia,
encharca tudo que vê pela frente.
Às vezes, suave e meiga
sussurra aos ouvintes atentos:
– Silêncio…respire fundo, descanse,
durma mais um pouquinho e sonhe.
Nestes dias de chuva,
meu coração agradece,
o frescor das águas,
a renovação da vida,
a presença divina na criação,
o Amor de Deus,
que conforta e acalenta meu ser.
Noemi N.Ansay
Revista: Dança, Percepção e Micropolíticas do Corpo em Experiências Somáticas/ Campus II Unespar
Acesse o novo volume da Revista em
http://www.fap.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=333
#historiaspraladeespeciais #supercoruja
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Olhos de Coruja
Olá pessoal!!
Mais uma linda #historiapraladeespecial #supercoruja
Uma experiencia inclusiva!!
Vamos participar!!!
Agradeço imensamente a mamãe Noemi Nascimento Ansay por contribuir com a sua historia!!!
Um grande aprendizado sobre inclusão que todos nós deveríamos ter.








