Bella e Chagall ( Noemi N. Ansay)
Chagall,
na tela as cores do amor,
no entorno: guerra, tristeza e dor,
místico, mágico e sonhador,
transformou a crueldade,
em uma perspectiva poética de vida.
Bella,
ser alado, material e espiritual,
escritora de “Luzes Acesas”
intelectual, mulher e mãe,
voa nos ares de Vitebsk,
é a moça do “colar branco”.
Num passeio, “The promenade”,
o céu é tão alvo,
vê-se a cidade distante,
e um corpo feminino, rosado,
tão belo, ondula pelos ares,
na terra, com os pés bem firmados,
o homem, segura um pássaro,
sorri, extasiado com a força do amor.
Ela quer voar,
Ele tem os pés no chão,
Um dia voariam juntos,
sobre a cidade,
o amor e a arte os levariam para além do tempo e espaço.
Noemi N.Ansay
“Haverá sempre crianças que amarão a pureza, apesar do inferno criado pelos homens.” (Chagall)
Poema Marc Chagall ( tradução Manoel Bandeira)
Poema Marc Chagall
O país que trago dentro da alma.
Entro nele sem passaporte
Como em minha casa.
Ele vê a minha tristeza
E a minha solidão.
Me acalanta.
Me cobre com uma pedra perfumada.
Dentro de mim florescem jardins.
Minhas flores são inventadas.
As ruas me pertencem
Mas não há casas nas ruas.
As casas foram destruídas desde a minha infância.
Os seus habitantes vagueiam no espaço
À procura de um lar.
Instalam-se em minha alma.
Eis porque sorrio
Quando mal brilha o meu sol.
Ou choro
Como uma chuva leve
Na noite.
Houve tempo em que eu tinha duas cabeças.
Houve tempo em que essas duas caras
Se cobriam de um orvalho amoroso.
Se fundiam como o perfume de uma rosa.
Hoje em dia me parece
Que até quando recuo
Estou avançando
Para uma alta portada
Atrás da qual se estendem muralhas
Onde dormem trovões extintos
E relâmpagos partidos.
Só é meu
O mundo que trago dentro da alma.
Tradução do poema por Manuel Bandeira (1886-1968) publicada em Estrela da Vida Inteira, 20ª edição, 30ª reimpressão, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 2002.
Para copos de Cumulus Nimbus
Defesa Doutorado: Noemi N. Ansay
Fonte:
http://www.fap.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=1900
Ode a Tese
Curitiba, 25 de fevereiro de 2016.
Ode à Tese
Ah, ela é feminina,
aos menos para os latinos!
Sofisticada e cheia de “marra”,
tão caprichosa, cheia de detalhes,
abnegada, tem os pés no chão.
Não se pode vê-la de uma vez,
será necessário tempo,
um olhar atento e uma certa dose de coragem.
Desde a capa,
já se vê sua ousadia,
seus mentores e acompanhantes,
uma universidade, um(a) orientador(a)
doutores que formam uma banca de avaliação,
autores, uma perspectiva teórica,
uma metodologia de pesquisa,
a história tão cheia de reveses e avanços.
Adentrando por suas páginas,
folha a folha,
ela desnuda suas curvas e formas,
começa de mansinho,
prelúdio de uma história de amor,
com agradecimentos, epígrafe,
listas de abreviações, tabelas,
o sumário, com seus títulos e subtítulos…
Mas chega, enfim, o corpo do texto,
carne e sangue,
respiração, músculos em movimento,
enfim, uma mulher por inteiro.
Os capítulos vão se seguindo,
nas páginas, a vida de mulheres e homens,
pessoas com deficiência,
vozes silenciadas,
os gritos dos injustiçados e suas dores,
a organização do povo,
suas lutas e a conquistas por direitos.
Tecelã acadêmica,
maneja com destreza os fios,
às vezes, é preciso desfazer alguns trechos,
refazer, reorganizar,
apagar e reescrever.
E o tempo vai apurando o texto,
o tecido vai ganhando formas e cores,
expressão da complexidade dialética da vida.
Verdade seja dita,
nem tudo são flores e a tese
vai caminhando por terrenos pedregosos,
experimenta sismos,
entra na caverna de Adulão,
exausta, busca a sabedoria,
o conselho dos sábios,
descansa, suaviza,
alimenta-se mais uma vez
e bebe de fontes subterrâneas.
Levanta a cabeça,
“sacode a poeira, dá volta por cima”,
pressente que a conclusão se aproxima,
e esguia, veste-se de violeta e púrpura,
leva uma coruja como mascote,
sente-se um grão de areia
diante do oceano.
Seguir adiante é preciso.
Chega-se à conclusão, à bibliografia,
os anexos e apêndices,
e a folha em branco no final,
que anuncia uma nova jornada.
O fim é também um começo.
Noemi Nascimento Ansay
Em Santiago do Chile
Para quem quiser conhecer um pouquinho do Chile (: Que país incrível!Noemi Nascimento Ansay Rafael Solyom Ansay
Publicado por Larissa Solyom Ansay em Terça, 9 de fevereiro de 2016
Masa Le Polin 2014
Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto
27 de janeiro, a data foi instituída pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em dezembro de 2005.
Honrar a memória dos milhões de pessoas que morreram durante a Segunda Guerra Mundial e lutar contra o ressurgimento das condições que deram origem ao Holocausto.









