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No dia 30 de março, às 18h, no hall da Biblioteca Cental, acontece o “Encontro Musical”, com a apresentação de “Ressonâncias” – Conjunto livre de Flauta Doce da EMBAP. O Encontro Musical é gratuito e aberto a comunidade em geral. Não é necessário realizar inscrições.

Serviço

Encontro Musical

Quando: 30/3/2017

Onde: Hall da Biblioteca Central – Rua Imaculada Conceição, 1155 – Prado Velho | Curitiba -PR

Horário: 18h

http://www.pucpr.br/noticia.php?ref=1&id=2017-03-27_65493

 

Anjos de Khan Sheikhoun

Anjos de Khan Sheikhoun [i]

 

Minha doce criança:

- Hoje, quando o sol se pôr,

a insanidade dominará os homens,

as trevas cobrirão a terra e cairá sobre a cidade uma nuvem mortífera,

que invadirá, sem pedir licença, os corpos, as casas e as ruas.




E se despertares, meu anjo querido,

sentirás em teu frágil corpo,

o ataque brutal dos senhores da guerra,

a intolerância, o ódio e a fúria da ganância humana.




O gás da morte te fará sofrer,

sentirás falta de ar e náuseas,

é possível que tuas mãozinhas e pezinhos tremam

e teus brilhantes olhinhos ardam muito.




Eu bem sei, pequena criança,

que não será nada fácil

e que lutarás com todas as tuas forças para viver,

até o último momento, até o último suspiro.




Ah, minha querida criança, como desejarei que vivas,

para testemunhares que o ódio não compensa,

mas, se não o puderes, parta em paz,

uma multidão de anjos te espera,

não tens culpa da barbárie humana.




Envergonhada e constrangida só te faço uma prece:

-Perdoa a humanidade,

perdoa os povos da Terra,

perdoa os adultos que não te protegeram,

perdoa a insensatez dos burocratas,

perdoa nossa incapacidade de amar.




-Perdoa e com teu coração puro

nos liberte do ódio,

nos ensine que a vida é uma dádiva,

que para ser feliz não precisamos de muito,

que uma vida tem um valor incalculável,

que o ódio só produz ainda mais ódio,

mas o amor, ah o amor é que nos humaniza

e nos aproxima da natureza divina.




[i]  In memorian das 27 crianças , mortas no dia 04/04/2017, por ataque químico ( gás sarin) na cidade de Khan Sheikhoun na Síria.

CHRISTINE SUN KIM The enchanting music of sign language

 

Transcrição em Português da palestra

Intérprete: Piano, “p,” é o meu símbolo musical favorito. Significa tocar suavemente. Se estamos tocando um instrumento, e percebemos um “p” na partitura, precisamos tocar suavemente. Dois p’s, mais suave. Quatro p’s, extremamente suave. Esse é o meu desenho de uma árvore de p, que demonstra não importa quantos milhares de p’s possam existir, nunca se atingirá o silêncio completo. Essa é a minha atual definição de silêncio: um som quase imperceptível.

0:55Gostaria de falar um pouco sobre a história da Língua de Sinais Americana, ASL, e também um pouco da minha própria história. A língua de Sinais Francesa foi trazida para América no início dos anos 1800, e com o passar do tempo, se misturou com sinais locais, e evoluiu para o que hoje conhecemos com ASL.Então ela tem uma história de cerca de 200 anos.

1:22Eu nasci surda, e me ensinaram a crer que som não fazia parte da minha vida. E acreditei que era verdade. Agora eu sei que não era o caso. Som era sim parte da minha vida, está no meus pensamentos todo dia. Sendo uma pessoa surda vivendo em um mundo de som, era como se eu vivesse em um país estrangeiro, cegamente seguindo suas regras, costumes, comportamentos e normas sem nunca questionar.

2:12Então como eu compreendo som? Bem, eu observo como as pessoas se comportam e reagem ao som.Vocês são como meus alto-falantes e amplificadores. Eu aprendo e imito esse comportamento. Ao mesmo tempo, compreendi que eu também crio som e eu vi como as pessoas respondem a mim. Então eu aprendi, por exemplo: “Não bata a porta!” “Não faça muito barulho quando está comendo batatas fritas no pacote!”

2:43″Não arrote, e quando estiver comendo, não raspe seus talheres no prato.” Todas essas coisas eu chamo de “etiqueta de som”. Talvez eu pense mais sobre etiqueta de som do que uma pessoa que ouve pensa. Sou hipervigilante perto de sons. E estou sempre à espera, numa antecipação nervosa do que vai acontecer com o som.

3:12Por isso esse desenho. TBD, a ser decidido. TBC, a ser continuado. TBA, a ser anunciado. E percebam na pauta: não existem notas nas linhas. Isso porque as linhas já contêm som através de manchas e borrões sutis.

3:39Na cultura surda, movimento equivale a som. Esse é o sinal para “pauta” em ASL. Uma pauta típica contém cinco linhas. Ainda assim, sinalizar com o dedão para cima não parece natural. Por isso podem perceber nos meus desenhos, que uso quatro linhas no papel.

4:04Em 2008, tive a oportunidade de viajar para Berlim, Alemanha, para uma residência artística. Antes disso, eu trabalhava como pintora. Durante aquele verão, visitei diferentes museus e galerias, e enquanto ia de um lugar para outro, percebi que não havia artes visuais lá. Naquela época, som era tendência, e isso me impressionou… não havia artes visuais, tudo era auditivo.

4:36Agora o som entrou para o meu território na arte. Isso irá me distanciar mais da arte? Percebi que isso não precisa acontecer. Eu conheço som. O conheço tão bem que não precisa ser apenas uma experiência auditiva. Ele pode ser sentido pelo tato, pode ser percebido como visual, ou mesmo como uma ideia.

5:04Então decidi recuperar a posse do som e o usar na minha prática artística. E tudo que me ensinaram sobre som, decidi descartar e desaprender. Comecei a criar um novo trabalho. E quando o apresentei para a comunidade artística, fiquei deslumbrada com o apoio e atenção que recebi. Eu percebi: som é como dinheiro, poder, controle; valor social. No fundo, sempre acreditei que som fosse algo seu, algo de pessoas que ouvem. E som é tão poderoso que poderia desempoderar a mim e ao meu trabalho, ou me empoderar. Escolhi me empoderar.

6:07Existe uma cultura enorme em torno da língua falada. E porque não uso literalmente minha voz para me comunicar, aos olhos da sociedade é como se eu não tivesse voz. Então preciso trabalhar com pessoas que me tratem de igual para igual e se tornem minha voz. Dessa forma, consigo manter relevância na sociedade de hoje.

6:35Então na escola, no trabalho e em instituições, trabalho com vários intérpretes de ASL. E suas vozes se tornam minha voz e identidade. Eles me ajudam a ser ouvida. E suas vozes têm valor e aceitação.Ironicamente, ao me valer de suas vozes consigo manter uma forma temporária de aceitação, quase como pegar um empréstimo com elevada taxa de juros. Se eu não continuasse com essa prática, sinto que poderia sumir no esquecimento e não ter nenhuma forma de valor social.

7:28Então, tendo o som como meu novo meio de arte, mergulhei no mundo da música. Fiquei surpresa ao descobrir as semelhanças entre música e ASL. Por exemplo: uma nota musical não pode ser totalmente captada e expressa no papel. E o mesmo se aplica a um conceito em ASL. Ambos são altamente espaciais e modulados, o que significa que pequenas mudanças podem alterar todo o significado dos sinais e sons.

8:10Gostaria de compartilhar com vocês uma metáfora de piano, para que tenham uma melhor compreensãode como a ASL funciona. Então imaginem um piano. ASL é dividida em vários parâmetros gramaticais diferentes. Se atribuirmos um parâmetro diferente a cada dedo, como se faz no piano, como expressões faciais, movimentos do corpo, velocidade, formato da mão e assim por diante, como se faz no piano. O inglês é um idioma linear, como uma tecla pressionada por vez. Porém, ASL é mais como um acorde:todos os dez dedos devem pressionar simultaneamente para expressar um conceito ou ideia claros na ASL. Se uma das teclas mudasse o acorde, criaria um significado completamente diferente. O mesmo se aplica à música em relação a tom, timbre e volume. Na ASL, valendo-nos de vários parâmetros gramaticais, podem ser expressas diversas ideias.

9:16Por exemplo, o sinal OLHAR-PARA. Esse é o sinal OLHAR-PARA. Estou olhando para

9:51Então pensei: “E se eu olhasse para ASL por uma lente musical?” Se eu criasse um sinal e o repetisse várias vezes, poderia se tornar algo como música visual. Por exemplo, esse é o sinal para “dia,” como o sol levanta e se põe. Esse é “o dia todo.” Se eu fosse repetir e desacelerar, visualmente parece música.Dia… todo. Acredito que o mesmo se aplica a “noite toda.” “Noite toda.” Isso é NOITE-TODA, representada nesse desenho. Isso me fez pensar em três tipos de noite: “noite de ontem,” “durante a noite,” (Cantando) “a noite toda.”

11:06Creio que o terceiro tem mais musicalidade que os outros dois.

11:12Isso representa como o tempo é expressado na ASL e como a distância do seu corpo pode expressar mudanças no tempo. Por exemplo, 1H é uma mão, 2H são duas mãos, o tempo presente acontece mais próximo e em frente ao corpo, o futuro é na frente do corpo, e o passado às suas costas O primeiro exemplo é “muito tempo atrás.” Então “passado,” “costumava” e o último, que é meu favorito, com uma noção bem romântica e dramática, “era uma vez.”

11:56″Tempo comum” é um termo musical com assinatura de tempo específica de quatro batidas por compasso. Mas quando eu vejo as palavras “tempo comum,” o que vem à minha cabeça automaticamente é “ao mesmo tempo.” Então percebam RH: mão direita, LH: mão esquerda. Temos a pauta na cabeça e no peito.

 

12:24Agora vou demonstrar um formato de mão chamado “Flash Claw” Vocês podem me acompanhar, por favor? Todo mundo, mãos para cima. Agora vamos fazer na cabeça e no peito, como “tempo comum” ou “ao mesmo tempo”. Sim, conseguiram. Isso significa “se apaixonar” na Língua de Sinais Internacional

12:52Língua de Sinais Internacional, como uma nota é uma ferramenta visual para ajudar a comunicação entre culturas e línguas de sinais pelo mundo.

13:00O segundo que eu gostaria de demonstrar é esse. Por favor me acompanhem novamente. E agora esse.Isso é “colonização” em ASL.

13:22Agora o terceiro. por favor me acompanhem de novo. De novo. Isso é “iluminação” em ASL. Vamos fazer os três juntos. “Se apaixonar,” “colonização,” e “iluminação.” Bom trabalho, pessoal.

13:52Percebam como os três são similares, eles acontecem na cabeça e no peito, mas eles tem significados bem diferentes.

13:58É incrível ver a ASL viva e prosperando, como a música está. Entretanto, hoje em dia, vivemos em um mundo centrado no áudio. E apenas porque ASL não tem som, automaticamente não tem moeda social.Precisamos pensar mais sobre o que define moeda social e permitir que a ASL desenvolva sua própria forma de moeda, sem som. Isso poderia ser um passo para uma sociedade mais inclusiva. E talvez as pessoas entendam que não precisam ser surdas pra aprender ASL, nem precisa ouvir para aprender música.

14:47ASL é um tesouro tão rico que eu gostaria que vocês tivessem a mesma experiência. E gostaria de lhes convidar a abrir seus ouvidos, abrir seus olhos, participar da nossa cultura e experimentar nossa linguagem visual. E nunca se sabe, talvez vocês se apaixonem por nós.

Intérprete: Piano, “p,” é o meu símbolo musical favorito. Significa tocar suavemente. Se estamos tocando um instrumento, e percebemos um “p” na partitura, precisamos tocar suavemente. Dois p’s, mais suave. Quatro p’s, extremamente suave. Esse é o meu desenho de uma árvore de p, que demonstra não importa quantos milhares de p’s possam existir, nunca se atingirá o silêncio completo. Essa é a minha atual definição de silêncio: um som quase imperceptível.

0:55Gostaria de falar um pouco sobre a história da Língua de Sinais Americana, ASL, e também um pouco da minha própria história. A língua de Sinais Francesa foi trazida para América no início dos anos 1800, e com o passar do tempo, se misturou com sinais locais, e evoluiu para o que hoje conhecemos com ASL.Então ela tem uma história de cerca de 200 anos.

1:22Eu nasci surda, e me ensinaram a crer que som não fazia parte da minha vida. E acreditei que era verdade. Agora eu sei que não era o caso. Som era sim parte da minha vida, está no meus pensamentos todo dia. Sendo uma pessoa surda vivendo em um mundo de som, era como se eu vivesse em um país estrangeiro, cegamente seguindo suas regras, costumes, comportamentos e normas sem nunca questionar.

2:12Então como eu compreendo som? Bem, eu observo como as pessoas se comportam e reagem ao som.Vocês são como meus alto-falantes e amplificadores. Eu aprendo e imito esse comportamento. Ao mesmo tempo, compreendi que eu também crio som e eu vi como as pessoas respondem a mim. Então eu aprendi, por exemplo: “Não bata a porta!” “Não faça muito barulho quando está comendo batatas fritas no pacote!”

2:43″Não arrote, e quando estiver comendo, não raspe seus talheres no prato.” Todas essas coisas eu chamo de “etiqueta de som”. Talvez eu pense mais sobre etiqueta de som do que uma pessoa que ouve pensa. Sou hipervigilante perto de sons. E estou sempre à espera, numa antecipação nervosa do que vai acontecer com o som.

3:12Por isso esse desenho. TBD, a ser decidido. TBC, a ser continuado. TBA, a ser anunciado. E percebam na pauta: não existem notas nas linhas. Isso porque as linhas já contêm som através de manchas e borrões sutis.

3:39Na cultura surda, movimento equivale a som. Esse é o sinal para “pauta” em ASL. Uma pauta típica contém cinco linhas. Ainda assim, sinalizar com o dedão para cima não parece natural. Por isso podem perceber nos meus desenhos, que uso quatro linhas no papel.

4:04Em 2008, tive a oportunidade de viajar para Berlim, Alemanha, para uma residência artística. Antes disso, eu trabalhava como pintora. Durante aquele verão, visitei diferentes museus e galerias, e enquanto ia de um lugar para outro, percebi que não havia artes visuais lá. Naquela época, som era tendência, e isso me impressionou… não havia artes visuais, tudo era auditivo.

4:36Agora o som entrou para o meu território na arte. Isso irá me distanciar mais da arte? Percebi que isso não precisa acontecer. Eu conheço som. O conheço tão bem que não precisa ser apenas uma experiência auditiva. Ele pode ser sentido pelo tato, pode ser percebido como visual, ou mesmo como uma ideia.

5:04Então decidi recuperar a posse do som e o usar na minha prática artística. E tudo que me ensinaram sobre som, decidi descartar e desaprender. Comecei a criar um novo trabalho. E quando o apresentei para a comunidade artística, fiquei deslumbrada com o apoio e atenção que recebi. Eu percebi: som é como dinheiro, poder, controle; valor social. No fundo, sempre acreditei que som fosse algo seu, algo de pessoas que ouvem. E som é tão poderoso que poderia desempoderar a mim e ao meu trabalho, ou me empoderar. Escolhi me empoderar.

6:07Existe uma cultura enorme em torno da língua falada. E porque não uso literalmente minha voz para me comunicar, aos olhos da sociedade é como se eu não tivesse voz. Então preciso trabalhar com pessoas que me tratem de igual para igual e se tornem minha voz. Dessa forma, consigo manter relevância na sociedade de hoje.

6:35Então na escola, no trabalho e em instituições, trabalho com vários intérpretes de ASL. E suas vozes se tornam minha voz e identidade. Eles me ajudam a ser ouvida. E suas vozes têm valor e aceitação.Ironicamente, ao me valer de suas vozes consigo manter uma forma temporária de aceitação, quase como pegar um empréstimo com elevada taxa de juros. Se eu não continuasse com essa prática, sinto que poderia sumir no esquecimento e não ter nenhuma forma de valor social.

7:28Então, tendo o som como meu novo meio de arte, mergulhei no mundo da música. Fiquei surpresa ao descobrir as semelhanças entre música e ASL. Por exemplo: uma nota musical não pode ser totalmente captada e expressa no papel. E o mesmo se aplica a um conceito em ASL. Ambos são altamente espaciais e modulados, o que significa que pequenas mudanças podem alterar todo o significado dos sinais e sons.

8:10Gostaria de compartilhar com vocês uma metáfora de piano, para que tenham uma melhor compreensãode como a ASL funciona. Então imaginem um piano. ASL é dividida em vários parâmetros gramaticais diferentes. Se atribuirmos um parâmetro diferente a cada dedo, como se faz no piano, como expressões faciais, movimentos do corpo, velocidade, formato da mão e assim por diante, como se faz no piano. O inglês é um idioma linear, como uma tecla pressionada por vez. Porém, ASL é mais como um acorde:todos os dez dedos devem pressionar simultaneamente para expressar um conceito ou ideia claros na ASL. Se uma das teclas mudasse o acorde, criaria um significado completamente diferente. O mesmo se aplica à música em relação a tom, timbre e volume. Na ASL, valendo-nos de vários parâmetros gramaticais, podem ser expressas diversas ideias.

9:16 Por exemplo, o sinal OLHAR-PARA. Esse é o sinal OLHAR-PARA. Estou olhando para vocês. Encarando vocês.

 

 

9:51 Então pensei: “E se eu olhasse para ASL por uma lente musical?” Se eu criasse um sinal e o repetisse várias vezes, poderia se tornar algo como música visual. Por exemplo, esse é o sinal para “dia,” como o sol levanta e se põe. Esse é “o dia todo.” Se eu fosse repetir e desacelerar, visualmente parece música.Dia… todo. Acredito que o mesmo se aplica a “noite toda.” “Noite toda.” Isso é NOITE-TODA, representada nesse desenho. Isso me fez pensar em três tipos de noite: “noite de ontem,” “durante a noite,” (Cantando) “a noite toda.”

11:06 Creio que o terceiro tem mais musicalidade que os outros dois.

11:12 Isso representa como o tempo é expressado na ASL e como a distância do seu corpo pode expressar mudanças no tempo. Por exemplo, 1H é uma mão, 2H são duas mãos, o tempo presente acontece mais próximo e em frente ao corpo, o futuro é na frente do corpo, e o passado às suas costas O primeiro exemplo é “muito tempo atrás.” Então “passado,” “costumava” e o último, que é meu favorito, com uma noção bem romântica e dramática, “era uma vez.”

11:56 “Tempo comum” é um termo musical com assinatura de tempo específica de quatro batidas por compasso. Mas quando eu vejo as palavras “tempo comum,” o que vem à minha cabeça automaticamente é “ao mesmo tempo.” Então percebam RH: mão direita, LH: mão esquerda. Temos a pauta na cabeça e no peito.

 

12:24 Agora vou demonstrar um formato de mão chamado “Flash Claw” Vocês podem me acompanhar, por favor? Todo mundo, mãos para cima. Agora vamos fazer na cabeça e no peito, como “tempo comum” ou “ao mesmo tempo”. Sim, conseguiram. Isso significa “se apaixonar” na Língua de Sinais Internacional

12:52 Língua de Sinais Internacional, como uma nota é uma ferramenta visual para ajudar a comunicação entre culturas e línguas de sinais pelo mundo.

13:00O segundo que eu gostaria de demonstrar é esse. Por favor me acompanhem novamente. E agora esse.Isso é “colonização” em ASL

13:22 Agora o terceiro. por favor me acompanhem de novo. De novo. Isso é “iluminação” em ASL. Vamos fazer os três juntos. “Se apaixonar,” “colonização,” e “iluminação.” Bom trabalho, pessoal.

13:52 Percebam como os três são similares, eles acontecem na cabeça e no peito, mas eles tem significados bem diferentes.

13:58 É incrível ver a ASL viva e prosperando, como a música está. Entretanto, hoje em dia, vivemos em um mundo centrado no áudio. E apenas porque ASL não tem som, automaticamente não tem moeda social.Precisamos pensar mais sobre o que define moeda social e permitir que a ASL desenvolva sua própria forma de moeda, sem som. Isso poderia ser um passo para uma sociedade mais inclusiva. E talvez as pessoas entendam que não precisam ser surdas pra aprender ASL, nem precisa ouvir para aprender música.

14:47 ASL é um tesouro tão rico que eu gostaria que vocês tivessem a mesma experiência. E gostaria de lhes convidar a abrir seus ouvidos, abrir seus olhos, participar da nossa cultura e experimentar nossa linguagem visual. E nunca se sabe, talvez vocês se apaixonem por nós.

 

 

Belezas da Vida

“Há beleza na vida, há beleza em tudo. Vocês veem? Há beleza na alegria, e mesmo na saudade, na tristeza, no sofrimento e até na partida, há beleza. A vida é uma beleza.”

Nise da Silveira

Cena do Filme Angel-A (2005), de Luc Besson sobre baixa autoestima

Amar a si para amar o próximo !
“Em Si-mesmo o Si é o que está dentro de Si e que
extravasa para fora de Si.”
n.n.a

La Vie en Close

La vie en close I

quem poderia explicar ?
as lágrimas das crianças órfãs de Ruanda,
a fome da África que é rica de diamantes,
braços e pernas amputados pela guerra.

quem poderia responder ?
pelos milhares de mortos em Auschwitz,
pela arrogância de doutores que incineraram inocentes,
pela insensatez do homem que acredita na limpeza étnica.

quem poderia entender?
que espaço e tempo são dimensões ainda incompreensíveis,
que somos parte de um todo,
mesmo sendo apenas um grão de areia.

quem poderia controlar ?
a força do vento e do mar,
o aquecimento terrestre,
a força da vida e da morte.

quem poderia imaginar?
relacionamentos virtuais,
vazios, tristes, irreais,
a vida em close para todo mundo.

quem poderia explicar?
por que as ilusões ás vezes parecem reais,
e o real ás vezes parece ilusão,
que o virtual não é real .

quem poderia responder?
pela dor dos que tem fome,
por sete milhões de desempregados no Brasil,
pelos presídios abarrotados de gente.

quem poderia entender?
porque choramos pelos que se foram
e não por aqueles que tentam sobreviver
nas guerras, nas ruas, nas favelas e nos abrigos

quem poderia controlar?
a insensatez humana ,
o amor que se esfria,
a solidão no meio da multidão.

quem poderia imaginar?
que homens e mulheres julgam-se melhores,
pela cor dos olhos e da pele,
pelo que tem e não pelo que são?

quem poderia explicar?
que do pó viemos e para ele tornaremos,
que tudo é passageiro e a vida é breve,
e que a vida não termina na morte.

Noemi N. Ansay

2008

A criança ferida – Margaret Atwood

A criança ferida

A criança ferida vai mordê-lo.
A criança ferida vai se tornar
uma criatura assustadora
e mordê-lo mesmo onde você está.

A criança ferida verá a pele se formar
sobre o ferimento que recebeu você
– recebeu não, por que o ferimento
não é um presente, um presente é aceito
livremente, e a criança não teve escolha.

Ela vai formar uma pele sobre o ferimento,
o ferimento acumulado, o ferimento que atravessa gerações
e que você extraiu com forças de si mesmo feito uma bala
e implantou na carne da criança –
uma pele um couro um pelo
uma crosta escaldada,
e dentes afiados de peixe
como os de um bebê deformado –
e vai mordê-lo

e você vai dizer que não vale
como é o seu hábito
e haverá uma luta
porque você vai tirar a luta da caixa
com o rótulo Lutas que guarda com tanto cuidado
para as emergências, e esta é uma delas,
e a criança ferida perderá a luta
e irá cambaleando
para os subúrbios, e causará
pânico nas drogarias e estrago
nos churrascos
e eles dirão Ajudem ajudem um monstro
e saíra no noticiário

e ela será caçada
com cães, e deixará um rastro
de cabelo, pelo, escamas e dentes de leite, e lágrimas
de onde foi rasgada
com vidro quebrado e coisas do tipo

e vai se esconder em canos de esgoto
em depósitos de ferramentas, debaixo de arbustos,
lambendo sua ferida, sua raiva,
a raiva que recebeu de você
e vai se arrastar até o poço

o lago o riacho o reservatório
porque tem sede
porque é monstruosa
com sua sede feroz
que parece toda coberta de espinhas

e os cães e caçadores vão encontrá-la
e ela ficará encurralada
e uivará sobre injustiças
e vão rasgar seu corpo e abri-lo
e vão comer seu coração
e todos darão vivas,
Graças a deus acabou !

E seu sangue escorrerá para dentro d’água
e você vai bebê-lo todos os dias.

ATWOOD, Margaret. A porta.  Rio de Janeiro: Ricco, 2013. p. 77,78

http://zip.net/bgkymr

A lição dos poetas – Jacques Rancière

A lição dos poetas
É preciso aprender. Todos os homens têm em comum essa capacidade de experimentar  o prazer e a pena. 
Racine não tem vergonha de ser o que é: um miserável. Ele aprende Eurípedes e Virgílio decor, como um papagaio. Ele procura traduzi-los, decompõe suas expressões, recompõe de outra maneira. Ele sabe que ser poeta é traduzir duas vezes: traduzir em versos franceses a dor de uma mãe, a cólera de uma rainha ou a fúria de uma amante é também traduzir a tradução que Eurípedes ou Virgílio fizeram. […] Esse grande poeta supõe, exatamente, o contrário: ele só trabalha, só se esforça tanto, apaga cada palavra, modifica cada expressão porque espera que seus leitores compreenderão tudo, precisamente como ele próprio compreende.
[…] o poema é a ausência de outro poema.
Todo o esforço, todo o trabalho do poeta é suscitar essa aura em torno de cada palavra da expressão. É por isso que ele analise, disseca, traduz as expressões dos outros, que ele apaga e corrige sem cessar as suas. Ele se esforça para tudo dizer, sabendo que não pode dizer tudo, mas que é essa tensão incondicional do tradutor que abre a possibilidade de outra tensão, de outra vontade: a língua não permite dizer tudo, e ” é preciso que eu recorra e eu próprio gênio, ao gênio de todos os homens, para adivinhar o que Racine quis dizer, o que ele diria na qualidade de homem, o que ele diz quando não fala, o que não pode dizer enquanto não é somente poeta”.
Modéstia verdadeira do “gênio”, isto é,do artista emancipado: ele emprega toda sua potência, toda sua arte em nos mostrar seu poema como ausência de um outro, cujo conhecimento ele nos concede o crédito de possuir tão bem quanto ele  próprio.
RANCIÈRE, J. O mestre Ignorante. São Paulo: Idêntica, 2013.

O mestre ignorante – Jacques Ranciére

O aluno deve ver tudo por ele mesmo, comparar incessantemente e sempre responder a tríplice questão:  o que vês? o que pensas disso? o que fazes com isso?
Ensino Universal: APRENDER QUALQUER COISA E A ISSO RELACIONAR TODO O RESTO, SEGUNDO O PRINCÍPIO DE QUE TODOS OS HOMENS TÊM  IGUAL INTELIGÊNCIA .

Livro "Ciranda das letras: a poética do alfabeto" para escola de surdos no Chile

Visita e palestra na  Centro de Trastornos de la Comunicación  – Escuela de sordos.

Divulgando o livro  Ciranda das letras:  a Poética do Alfabeto/ DVD em Libras.

Nossas mãos são para amar, proteger, falar e ensinar !!!!

http://player.mais.uol.com.br/embed_v2.swf?mediaId=319569&p=related

Em defesa da escola pública !!!


Umas das estratégias do neoliberalismo e do marketing do mercado educacional é desconstruir o ensino público, criar uma imagem de ineficiência, de pouca qualidade e de desprestígio social. Desta forma, querem ampliar seus ” consumidores”, ” clientes” e subjugar o ensino público a lógica do ensino privado. Acredito que a educação é um direito e não um produto de mercado !!!!!

n.n.a

Edupesquisa – Aula presencial

Aula presencial com a Profª Jussara Riva( UFPR), Tutores e Cursistas.
Este é o grupo 6 do qual sou tutora.
Momento para refletir sobre Gestão Democrática.

Verso: Cão e Gato no Frio

Cão e Gato

no frio,
  naturezas distintas,
seres diferentes na essência,
às vezes até inimigos,
unem suas fragilidades, 
para aquecer o corpo e a alma que congelam, 
nas manhãs curitibanas.
n.n.a.

Foto: meu cão labrador Luck e a Ginger, minha gatinha siamesa.

Um site WordPress.com.

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