La vie en close I
quem poderia explicar ?
as lágrimas das crianças órfãs de Ruanda,
a fome da África que é rica de diamantes,
braços e pernas amputados pela guerra.
quem poderia responder ?
pelos milhares de mortos em Auschwitz,
pela arrogância de doutores que incineraram inocentes,
pela insensatez do homem que acredita na limpeza étnica.
quem poderia entender?
que espaço e tempo são dimensões ainda incompreensíveis,
que somos parte de um todo,
mesmo sendo apenas um grão de areia.
quem poderia controlar ?
a força do vento e do mar,
o aquecimento terrestre,
a força da vida e da morte.
quem poderia imaginar?
relacionamentos virtuais,
vazios, tristes, irreais,
a vida em close para todo mundo.
quem poderia explicar?
por que as ilusões ás vezes parecem reais,
e o real ás vezes parece ilusão,
que o virtual não é real .
quem poderia responder?
pela dor dos que tem fome,
por sete milhões de desempregados no Brasil,
pelos presídios abarrotados de gente.
quem poderia entender?
porque choramos pelos que se foram
e não por aqueles que tentam sobreviver
nas guerras, nas ruas, nas favelas e nos abrigos
quem poderia controlar?
a insensatez humana ,
o amor que se esfria,
a solidão no meio da multidão.
quem poderia imaginar?
que homens e mulheres julgam-se melhores,
pela cor dos olhos e da pele,
pelo que tem e não pelo que são?
quem poderia explicar?
que do pó viemos e para ele tornaremos,
que tudo é passageiro e a vida é breve,
e que a vida não termina na morte.
Noemi N. Ansay
2008

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