Metamorfose

Metamorfose
não sou o que era antes
e nem serei amanhã o que sou hoje,
vivo a temeridade e a exuberância
da metamorfose todos os dias.
larva, asquerosa, repugnante,
pupa pendurada em uma folha,
crisálida silenciosa, grávida de vida,
aguarda ser borboleta.
N.N.A.
Reinvenção – Cecília Meirelles
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| Foto: Finlândia- Mari Suoheimo |
Reinvenção
A vida só é possível
reinventada
Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas…
Ah! tudo bolhas
que vêm de fundas piscinas
de ilusionismo….- mais nada.
Mas a vida, a vida, a vida,
só é possível
reinventada.
Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura
Tudo mentira! Mentira
da lua, da noite escura.
Não te encontro, não te alcanço…
Só – no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só- na treva,
fico: recebida e dada.
Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.
Cecília Meirelles.
MEIRELLES, C. Flor de Poemas.Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1983
Dia de Chuva em Curitiba
Dias de chuva nos trazem nostalgia…saudades de ser bom, de amar e compartilhar.
Chuva é Deus lavando a casa do coração.
Paulo Leminsky
meus amigos
quando me dão a mão
sempre deixam
outra coisa
presença
olhar
lembrançacalor
meus amigos
quando me dão
deixam na minha
a sua mão
Paulo Leminsky (1981)
VI Congresso Brasileiro Multidisciplinar de Educação Especial

VII ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM EDUCAÇÃO ESPECIAL
Londrina de 08 a 10 novembro de 2011
Local: Hotel Sumatra
Tema Central
Inclusão: Pesquisa e Ensino
The Music Never Stopped
Espaços da Memória – Museus e Acervos do Paraná

Ganhei hoje este livro da minha querida tia Lidia,estou encantada com a riqueza, os detalhes e o registro dos museus do Paraná
João Cabral de Melo Neto
Joaquim:
João Cabral de Melo Neto
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
Jardim – Jorge Luis Borges- 1922
| Le jardin – Claude Monet |
Jardim
Valetas,
serras ásperas,
dunas
sitiadas por arfantes singraduras
e pelas léguas de tempestade e areia
que se aglomeram no fundo do deserto.
Em um declive está o jardim.
Cada arvorezinha é uma selva de folhas.
Em vão fazem-lhe o cerco
os estéreis cerros silenciosos
que apressam a noite com sua sombra
e o triste mar de inúteis verdores.
Todo jardim é uma luz amena
que ilumina a tarde.
O jardinzinho é como um dia de festa
na pobreza da terra.
Ditadura Militar e a Sociologia
FILME QUE A NICK FEZ, lindo demais…
A menina e a Fruta – Adélia Prado
A menina e a fruta
Um dia, apanhando goiabas com a menina
ela abaixou o galho e disse para o ar
– inconsciente de que me ensinava-
‘goiaba é uma fruta abençoada’.
Seu movimento e rosto iluminados
agitaram no ar poeira e Espírito:
o Reino é dentro de nós,
Deus nos habita.
Não há como escapar à fome de alegria !
Adélia Prado











