Poemas Alfabéticos "E"

Efflorescentia
Ébrio com a emanação de Edelvais,
endoideceu no equinócio da primavera,
empalideceu, esquecendo de suas escusas e embates,
esmerou-se para encontrar encorajamento
iria encontrá-la, esplêndida no Éden
enamorado encontraria o essencial,
enamorado encontraria o essencial,
esqueceria os engasgos e a escuridão,
esperaria extasiado o enevoar de um entardecer esplendoroso.
n.n.a
Poemas Alfabéticos " D"
Decaedro
Dez devaneios desarvorados:
Um desarrimo no desabrochar,
O dealbar dos desertos,
A demência das desilusões,
O desespero das despedidas,
A dissonância das decomposições,
O desmesura de um despetalar,
O definhar de um desconsolo,
A delicadeza de uma dedicação,
O deslumbramento do devir,
O desassossego d’alma.
n.n.a
Poemas Alfabéticos "C"
Calidoscópio
Calamidade no corpo, cabeça e coração.
No corpo cárcere, calafrio, congestão,
na cabeça cálculo, cápsula, convulsão,
no coração cólera, calvário, colapso.
Como alcançar compaixão?
Como compreender o congelamento do coração?
n.n.a.
Projeto Escola Universidade
Projeto Escola Universidade
Construção do Blog Maneiras de Ler o que não é igual.
Poemas alfabéticos "A"

Abdico dos absolutos
aborto aberrações
abandono abnegações
abotoo as abotoaduras abandonadas
abocanho abacaxis, abóboras e abricós
absorta abraço o abdômen,
abarco meus absurdos
abençoo meu abrigo
aberta abelha absorvo a vida.
n.n.a.
n.n.a.
Revista Brasileira de Musicoterapia Número 11
Lançamento da Revista Brasileira de Musicoterapia número 11 no XI Encontro Nacional de Pesquisa em Musicoterapia na UFMG.
Epigrama 10
São muitas, seguramente, as coisas
que ainda querem ser cantadas por mim:
tudo o que mudo ressoa,
o que no escuro subterrâneo afia a pedra,
o que irrompe através da fumaça.
Ainda não ajustei contas com a chama,
nem com o vento e nem com a água…
É por isso que minha sonolência
abre-me, de par em par, os portões
que levam a estrela da manhã.
AKHMÁTOVA, A. Antologia poética. Porto Alegre:L&PM POCKET,2009.
Poeta Russa Akhmátova

O primeiro projétil de longo alcance atinge Leningrado
E o multicolorido ruído da multidão
calou-se de repente.
Mas não era um som típico da cidade,
e tampouco do campo,
esse longínquo estrondo que mais parecia
ser irmão gêmeo do trovão.
Se bem que, no trovão, há a umidade
das nuvens altas e frescas,
e o desejo das campinas
de que venha o alegre aguaceiro.
Neste havia só um calor seco, escorchante;
mas não quisemos acreditar
nesse rumor que ouvíamos – porque
ele crescia e aumentava e se expandia,
e por causa da indiferença
com que trazia a morte a meu filho.
Anna Akhmátova
setembro de 1941
Programa em Tese ITVU 19/10
Programa em Tese ITVU
Doutoras Silvia Andreis e Tânia Baibich
Discussão sobre o preconceito e a surdez







