Cultura Caiçara no Profei

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Trecho do livro: O Colibri

O Colibri, romance do premiado escritor italiano Sandro Veronesi, é uma obra magistral, intensa, lírica e poética.

Narra a história de quatro gerações da família Carrera: conflitos, perdas, desavenças, vícios, amores, idealizações, alegrias e a tenacidade de Marco Carrera, médico oftalmologista, que depois de perder sua única filha, cuida da neta, desde os dois anos e meio. Livro que trata da existência humana em suas diferentes facetas.

A vida é bela, mesmo que haja dor em vivê-la.

” O ato estético, diz Baldine Saint Girons, é um “envolvimento”: olhar é tocar à distância; os olhares são corpo. De passividade , isso não tem nada.

“Todos os dias somos atingidos por centenas de olhares. De nossa parte, atingimos com o olhar centenas de pessoas. Na maioria das vezes, ninguém nota: nós não percebemos que somos olhados, e os outros não percebem que os olhamos. Por isso, nada acontece, e esses olhares não produzem consequências – mas não há nenhuma razão para considerá-los menos relevantes do que os que citei há pouco. E de resto: estamos mesmo certos de que os olhares não retribuídos nada produzem? Há quem se apaixona olhando todos os dias pela janela certa pessoa que passa pela rua. Há quem fique obcecado pelo apresentador ou pela apresentadora que vê na TV. Não, não existem olhares mais importantes: quando lançados, todos os olhares são um envolvimento, e é somente coincidência dos eventos, ou seja, o acaso, a determinar suas consequências”.

VERONESI, Sandro. O Colibri. Belo Horizonte: A autêntica, 2024, p. 253.

Um Girassol Da Cor Do Seu Cabelo

Vento solar e estrelas-do-mar
A terra azul é a cor de seu vestido
Vento solar e estrelas-do-mar
Você ainda quer morar comigo?

Se eu cantar, não chore, não
É só poesia
Eu só preciso ter você
Por mais um dia
Ainda gosto de dançar
Bom dia
Como vai você?

Sol, girassol, verde, vento solar
Você ainda quer morar comigo?
Vento solar e estrelas-do-mar
Um girassol da cor de seu cabelo

Se eu morrer, não chore, não
É só a Lua
É seu vestido cor de maravilha nua
Ainda moro nesta mesma rua
Como vai você?
Você vem?
Ou será que é tarde demais?

O meu pensamento tem a cor do seu vestido
Ou um girassol que tem a cor de seu cabelo?
O meu pensamento tem a cor do seu vestido
Ou um girassol que tem a cor de seu cabelo?

O meu pensamento tem a cor do seu vestido
Ou um girassol que tem a cor de seu cabelo?
O meu pensamento tem a cor do seu vestido
Ou um girassol que tem a cor de seu cabelo?

A menina canta para o pássaro azul

A menina canta para o Pássaro Azul

pequeno pássaro azul

é frio e chove em Chillóe,

todos os pássaros se foram

só você ficou para uma última canção.

não te peço nada pássaro amigo,

só queria fazer-te um ninho com minhas mãos,

dar-te um beijo, ver-te e ouvir-te mais uma vez,

a vida me ensinou a não pedir muito.

aprendi a ouvir tuas pausas,

e tuas notas graves e aveludadas,

reconheceria em qualquer lugar,

a tessitura da tua voz veloz e bem colocada.

vou embora pássaro azul,

minha casa é tão longe…

moro na terra das araucárias

onde dá muito pinhão.

sentirei saudades,

não poderia ser de outra forma,

sou assim… ser exagerado,

intensa para o apego e ternura.

ficará em minha memória:

teu nome chileno, tua cor, tua liberdade

teus sons e silêncios

e a imensidão do teu azul.


La ninã canta para el pájaro azul

Pequeño pájaro azul

Hace frío y llove en Chillóe,

Todos los pájaros se fueron,

Solo tú quedaste para la última canción.

No te pido nada pájaro amigo,

Solamente me gustaría hacerte un nido con mis manos,

Darte un beso,

Verte y escucharte una vez más,

La vida me enseño no pedir mucho.

Aprendí a escuchar tus pausas,

Y tus notas graves y aterciopeladas,

Reconocería en cualquier sitio,

La tesitura de tu voz veloz y bien colocada.

Me voy pájaro azul,

Mi casa está tan lejos…

Vivo en tierra de araucárias

donde da mucho pinhão.

Extrañaré,

No podría ser de otra manera,

Soy así…

Un ser exagerado, intenso para el apego y ternura.

Quedará en mi memoria:

tu nombre chileno,

tu color

tu libertad,

tus sonidos y silencios

y la inmensidad de tu azul.[1]


[1] Tradução para o espanhol: Estefânia Mendes

Sessão de Autógrafos no MOM

Margens e Frestas é uma envolvente coletânea de poesias que transporta o leitor para as paisagens e experiências profundas da vida cotidiana e da natureza brasileira. Noemi Ansay tece narrativas que capturam a essência das comunidades rurais e costeiras do Brasil, revelando o cotidiano de famílias, caçadores e pescadores, enquanto celebra as ricas tradições culturais caiçaras.
Somos também guiados para outras paisagens como o Chile, Canadá e Japão, criando um mosaico cultural que aborda desde a beleza do teatro Noh, até os desafios contemporâneos e as crises sociais.
Com uma linguagem rica em metáforas e imagens sensoriais, Margens e Frestas é um tributo à conexão entre o ser humano e a natureza, e uma profunda reflexão sobre as histórias que moldam nossa vida.

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