Nem tudo é tão simples – Chalom, Chim ( 1905)
Nem tudo é tão simples
Nem tudo é tão simples, pelo pátio das casas,
as janelas encaram, dentro do acontecido.
Nas frias construções, no árido pavimento,
cada hora está gravada: cada hora que passa.
Nem tudo é tão simples, entre as quatro paredes:
há qualquer coisa na atitude das estantes,
e a pesada cortina, e o leito que se arruma
curvam-se a um jugo, a um peso de conhecimento.
E em toda casa são as escadas sombrias.
Por elas descem de manhã, sobem à noite
criaturas caladas, que fecham suas portas.
Minha alma por elas sofre, minha alma por elas reza.
Chalom, Chim ( 1905)
Inês Pedrosa – Fazes-me falta

” Olho para o mar do Guincho, para essas ondas frias e violentas em que tanto gostava de mergulhar, e sinto-me também eu meio morto, meio frio. Feliz por estar ao teu lado outra vez. Ao lado dessa que já estava morta um bom par de anos antes de tu morreres. Faz-me falta. Mas a vida não é mais do que essa sucessão de faltas que nos animam. ” ( 2012, p. 11)
PEDROSA, I. Fazes-me falta. São Paulo: MEDIAfashion, 2012.
Ler para se mover e ser mais humana…
Quando leio, viajo a terras nunca vistas, mudo de endereço, caminho por ruelas de vilarejos distantes ou no centro de grandes metrópoles, sinto emoções nunca sentidas, me desloco para um lugar estrangeiro, para fora de mim, aprendo a partir do outro, sinto a dor e a alegria do outro, dialogo com poetas, filósofos, teólogos e educadores. Quando volto, já não sou a mesma, sou outra, acrescida, sofrida, vivida, mais empática e pensante, sobretudo mais humana.
n.n.a.
Curta: A Onda traz, o Vento Leva ( surdos)
A Onda Traz, o Vento Leva
Assista ao filme completo:
http://portacurtas.org.br/filme/?name=a_onda_traz_o_vento_leva
Gênero: Ficção
Subgênero: Prêmio Porta Curtas
Diretor: Gabriel Mascaro
Elenco: Márcio Campelo Santana
Duração: 28 min Ano: 2010 Formato: Multimídia
País: Brasil Local de Produção: PE
Cor: Colorido
Sinopse: Rodrigo é surdo e trabalha numa equipadora instalando som em carros. O filme é uma jornada sensorial sobre um cotidiano marcado por ruídos, vibrações, incomunicabilidade, ambiguidade e dúvidas.
Poema: Flamboyant

Flamboyant
Nomes com cheiro de flores.
Rosa, Rose, Íris, Amarílis, Lis.
Nomes com o verde das árvores.
Azambuja, Acácia, Anajá, Araucária.
Nomes de sementes dos campos do cerrado.
Buriti, Jatobá, Leocema, Lágrima.
Nomes com pedras preciosas.
Ametista, Esmeralda, Jade, Berilo.
Nomes com o brilho das estrelas.
Zeta, Vega, Beta, Electra.
Nomes com a força dos furacões.
Dean, Katrina, Odessa, Emily.
Nomes com a brisa do mar.
Adriático, Delfim, Egeu, Jônico.
Nomes de praias.
Joaquina, Farol de São Tomé, Ubatuba, Ipanema,
Nomes de doces.
Ambrósia, Alfenim, Carolinas, Chuviscos
Nomes tão gentis.
Amábile, Amanda, Anabela, Mirabela.
Nomes que enchem a boca.
Flamboyant, Borboleta, Turmalina.
Nomes celestiais.
Angel, Celeste, Júpiter, Vênus.
Nomes carregados de morte.
Anúbis, Hades, Gólgota.
Nomes carregados de vida.
Vital,Vitalina, Natal, Natalina.
Nomes santos, santos nomes
Javé, Elohim, Emanuel, Yeshua.
n.n.a.
Juana Molina – Curáme
Cúrame
Háblame
que no te oiga
Quiéreme
que yo no sepa
Cuídame
que no lo vea
No me mires, no me escuches
haz de cuenta que no existo
Cúrame,
que no sane
Vierte en mi
tu indiferencia
Cálmame
que en mi se agite
el deseo como un fuego
y me muera por besarte
Llámame
no me respondas
sáciame
que no me alcance
Déjame,
que yo me rinda
que te siga que te ruegue
que después te de la espalda
Juana Molina..me encanta !!!
Un Dia
Un día voy a ser otra distinta,
voy a hacer cosas que no hice jamás.
No va a importarme lo que otros me digan
ni va a importarme si resultará.
Voy a viajar, voy a bailar, bailar, bailar, ¡quiero bailar!
Voy a vivir en el medio del campo y a las mañanas me vo(y) a levantar
para ordenar (me va a costar). Me gustará. ¿Cuándo será?
voy a hacer cosas que no hice jamás.
No va a importarme lo que otros me digan
ni va a importarme si resultará.
Voy a viajar, voy a bailar, bailar, bailar, ¡quiero bailar!
Voy a vivir en el medio del campo y a las mañanas me vo(y) a levantar
para ordenar (me va a costar). Me gustará. ¿Cuándo será?
Un día voy a hacer todo distinto,
voy a arreglar la ventana de atrás.
Voy a cantar las canciones sin letra
y cada uno podrá imaginar
si hablo de amor o desilusión,
banalidades o sobre Platón.
Si hablo de vos o de color,
si hablo de música, nuestra pasión.
Un día voy a ser otra distinta
voy a hacer cosas que no hice jamás.
Voy a cantar las canciones sin letra
y cada uno podrá imaginar.
Voy a viajar, vagar..
Juana Molina
Poema: no deserto
no deserto
no corpo a marca e o perfume de flores,
decupagem de plumas e pétalas,
a alma encarcerada em um corpo que insistia em voar,
só no sonho era possível ser,
mas ele insistia:
– Abra os olhos! Acorde! Acabou!
-Vá embora daqui!
o ar lhe secava a garganta,
a sede era insuportável,
a navalha afiada no peito,
a negação paterna,
havia mil razões para ser assim.
Perdidos no deserto,
ela e o filho,
fecham os olhos,
para sentirem
ao menos mais uma vez
o perfume das flores.
Não haveria amanhã.
n.n.a
Recital em Curitiba: João e Maria dia 31 de agosto
Da querida amiga Eliane Bastos, paranaense, talento e sensibilidade.












