Nem tudo é tão simples
Nem tudo é tão simples, pelo pátio das casas,
as janelas encaram, dentro do acontecido.
Nas frias construções, no árido pavimento,
cada hora está gravada: cada hora que passa.
Nem tudo é tão simples, entre as quatro paredes:
há qualquer coisa na atitude das estantes,
e a pesada cortina, e o leito que se arruma
curvam-se a um jugo, a um peso de conhecimento.
E em toda casa são as escadas sombrias.
Por elas descem de manhã, sobem à noite
criaturas caladas, que fecham suas portas.
Minha alma por elas sofre, minha alma por elas reza.
Chalom, Chim ( 1905)


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