no deserto
no corpo a marca e o perfume de flores,
decupagem de plumas e pétalas,
a alma encarcerada em um corpo que insistia em voar,
só no sonho era possível ser,
mas ele insistia:
– Abra os olhos! Acorde! Acabou!
-Vá embora daqui!
o ar lhe secava a garganta,
a sede era insuportável,
a navalha afiada no peito,
a negação paterna,
havia mil razões para ser assim.
Perdidos no deserto,
ela e o filho,
fecham os olhos,
para sentirem
ao menos mais uma vez
o perfume das flores.
Não haveria amanhã.
n.n.a


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