La Vie en Close

La vie en close I

quem poderia explicar ?
as lágrimas das crianças órfãs de Ruanda,
a fome da África que é rica de diamantes,
braços e pernas amputados pela guerra.

quem poderia responder ?
pelos milhares de mortos em Auschwitz,
pela arrogância de doutores que incineraram inocentes,
pela insensatez do homem que acredita na limpeza étnica.

quem poderia entender?
que espaço e tempo são dimensões ainda incompreensíveis,
que somos parte de um todo,
mesmo sendo apenas um grão de areia.

quem poderia controlar ?
a força do vento e do mar,
o aquecimento terrestre,
a força da vida e da morte.

quem poderia imaginar?
relacionamentos virtuais,
vazios, tristes, irreais,
a vida em close para todo mundo.

quem poderia explicar?
por que as ilusões ás vezes parecem reais,
e o real ás vezes parece ilusão,
que o virtual não é real .

quem poderia responder?
pela dor dos que tem fome,
por sete milhões de desempregados no Brasil,
pelos presídios abarrotados de gente.

quem poderia entender?
porque choramos pelos que se foram
e não por aqueles que tentam sobreviver
nas guerras, nas ruas, nas favelas e nos abrigos

quem poderia controlar?
a insensatez humana ,
o amor que se esfria,
a solidão no meio da multidão.

quem poderia imaginar?
que homens e mulheres julgam-se melhores,
pela cor dos olhos e da pele,
pelo que tem e não pelo que são?

quem poderia explicar?
que do pó viemos e para ele tornaremos,
que tudo é passageiro e a vida é breve,
e que a vida não termina na morte.

Noemi N. Ansay

2008

Fevereiro – Matilde Campilho

Fevereiro
Escute só.
Isto é muito serio.
Ande,
escute que isto é sério.
O mundo está tremendamente esquisito.
Há dez anos atrás o Li** disse que existe uma rachadura em tudo
e que é assim que a luz entra
não sei se entendi.
(…)
O amor é um animal tão mutante,
com tantas divisões possíveis…
Lembra daqueles termómetros que usávamos na boca
quando éramos pequenininhos?
lembra da queda deles no chão?
então,
acho que o amor quando aparece
é em tudo semelhante à forma física do mercúrio no mundo
quando o vidro do termómetro se quebra,
o elemento químico se espalha,
e então ele fica se dividindo pelos salões de todas as festas
mercúrio se multiplicando…
acho que deve ser isso uma das cinco mil explicações possíveis para o amor.
Ah, é..
Eu gosto de você…
A luz entrou torta por nós adentro,
Mas olhe..
Eu gosto de você..
(…)
Hoje ainda faz bastante frio.
(…)
A esta hora na Terra é metade Carnaval, metade conspiração,
metade medo, metade fé,
metade folia, metade desespero,
E provavelmente, a esta hora,
uma metade do mundo está dançando, e a outra metade dormindo.
(…)
Eu acredito que agora exista alguém profundamente acordado.
(…)
Escute, isto é serio.
Andamos crescendo juntos, distraidamente.
As árvores crescem connosco.
Nossa pele se estende.
Nosso entendimento teso, também.
(…)
Quanto ao um para um entre nós dois, isso logo se vê.
Não sei nada sobre a paixão,
suspeito que você também não.
Mas começo a entender que o compasso da fé está mudando a passos largos:
dois para lá,
e dois para cá.
portanto, escute, isto é muito sério.
Isto é uma proposta ao trinta anos.
Agora que o mercúrio assumiu sua posição certa,
vem comigo achar o metrónomo mágico entre a folhagem.
E no caminho até lá,
vem dançar comigo,
vem.

― Matilde Campilho

Musicoterapia no atendimento da UTI neonatal

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Musicoterapia no programa Bem Estar – Globo

A musicoterapia, como o próprio nome sugere, utiliza a música. Ela diminui a ansiedade, aumenta o bem-estar, melhora a socialização, a coordenação motora e o foco. Ela é usada em idosos, pacientes com problemas neurológicos e psiquiátricos.

http://g1.globo.com/bemestar/noticia/novas-praticas-terapeuticas-ajudam-a-controlar-doencas-cronicas-e-devolvem-qualidade-de-vida.ghtml

Para dias cinzentos: serenĭtas

 

Para dias cinzentos: serenĭtas

 

Só uma andorinha canta triste no alto de um pinheiro,

um coração, mesmo calejado, sente saudades,

o nó na garganta aperta quase todos os dias,

como alcançar a tal serenidade?

Se vou andando ao seu encontro,

ela corre, pra onde meus olhos não alcançam,

minha mente tão cansada,

a almeja, a busca,

mas ela parece fugir.

Serenĭtas, Serenĭtas,

Não fuja me mim,

seja minha amiga,

parceira, que me guia,

em meio das tempestades da vida.

Noemi N. Ansay

Poeticamente Vivos

Poeticamente Vivos

Para Valter Hugo Mãe

Nem precisaremos mais falar da Morte:

ela está sempre à espreita,

sempre alerta,

como um lobo feroz,

com seus dentes afiados,

sua cabeleira medonha,

seu bafo pútrido.

 

Nem falaremos de seus filhos,

todos hediondos, tal qual a mãe:

o ódio, a crueldade,

os extermínios,

os assassinatos,

a intolerância nossa de cada dia.

 

Nem veremos mais a seus espetáculos midiáticos,

suas tolices, suas piadas sujas,

sua raiva revestida de “bons modos”,

sua pele de cordeiro que abriga o lobo,

suas inconveniências,

sua pose de “boa moça.”

 

Nem comeremos a sua mesa:

seus manjares cobertos de discórdias,

adocicados com fel,

recheados da raiva deste mundo,

aromatizados com lascívia,

degenerados, frutos do mal.

 

Tão cansados, ultrajados e humilhados,

iremos mais adiante, mais profundo,

esqueceremos, ao menos, por um instante,

da Morte que nos assola, por tanto tempo,

olharemos além das aparências,

além do paraíso perdido.

 

Andaremos sobre pedras,

pelo caminho estreito,

talvez os pés sangrem,

a pele enrugue e seque,

os pensamentos desvaneçam

e desistir pareça ser a melhor opção.

 

Respiraremos,

como recém-natos,

ofegantes e quase sem forças,

voltaremos do fundo do poço,

vivos, amantes, amigos,

poetas, fraternos e ressurretos.

 

Insistiremos na Vida:

acordaremos,

depois da noite mais escura e longa,

faremos amor,

geraremos filhos e filhas,

seremos pais e mães,

trabalharemos com as mãos,

entoaremos velhas canções,

dançaremos sobre nosso desprezo,

escreveremos poesias,

beijaremos nossas feridas,

faremos as pazes com nosso coração partido,

divinos e humanos que somos, sobreviventes,

Viveremos !

noemi n. ansay

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