O mercado do mundo – Reisin, Avraham (1876-1953)

O  mercado do mundo

O que tinha levei
ao mercado do mundo:
o amor, a paz, a verdade
e a felicidade do mundo.

“Não vendo! Tomai, tomai:
eu dou a todo o mundo
o amor, a paz, a verdade
e a felicidade do mundo.”

O que tinha ninguém quis
no mercado do mundo;
o riso acolheu meu grito,
de forma alguma o mundo.

“Já viu um traficante
oferecer amor ao mundo?
Que vale um belo sentimento
no mercado do mundo?

Não sabes nada! Vai, vai
para outro lado do mundo:
serás sempre uma criança
no mercado do mundo.!”

– Sim, eu sei o que se vende
no mercado do mundo:
vende-se o suor e o sangue,
o sangue do pobre mundo.

REISIN, Avraham. Poesia de Israel. Rio de JaneiroEd. Civilização Brasileira, 1962.

Foto: Mari Suoheimo

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